G20: ainda estamos longe de um mundo mais justo

01/11/2021
01/11/2021 Core

A Cúpula do G20 deu alguns passos em direção a um mundo mais justo, saudável e verde para as gerações atuais e futuras, mas os resultados não corresponderam às grandes expectativas de um mundo onde milhões de crianças ainda precisam enfrentar uma crise tripla: a Covid, a crise climática e conflitos, que ameaça reverter décadas de progresso na luta contra a pobreza e a desigualdade.  Muito pouco progresso tangível em um G20 que deveria ter tratado das questões financeiras mais urgentes e onde o apoio para garantir que as economias nacionais em dificuldade tenham recursos suficientes para investir no futuro das próximas gerações ficou limitado a palavras.

No que diz respeito ao tema do financiamento ao desenvolvimento, os resultados do G20 refletem compromissos gerais e já acordados, enquanto permanecem pendentes ações concretas para acelerar e aprofundar o cancelamento da dívida para os países que se encontrarem diante de uma decisão impossível entre quitar dívidas e investir em setores cruciais para as crianças, como saúde, nutrição, educação e proteção social.

 


Os países do G20 não se comprometeram com nenhum novo compartilhamento de doses de vacina ou novo financiamento para o ACT-Accelerator, demonstrando mais uma vez que sua promessa de solidariedade global permanece uma promessa.

É importante lembrar que, atualmente, apenas 14% das doses prometidas chegaram a países de baixa e média renda. Ninguém está seguro até que todos o estivermos, e sem uma forte vontade política que leve a ações concretas sobre o compartilhamento de vacinas, financiamento justo e um aumento em seu fornecimento, o mundo não conseguirá acabar com esta pandemia e proteger o futuro.

Foi importante o reconhecimento por parte do G20 da educação como ferramenta fundamental para uma recuperação econômica inclusiva e sustentável e os compromissos de garantir o acesso a uma educação de qualidade para todos, com particular atenção às mulheres, às jovens e aos estudantes mais vulneráveis e de tornar os sistemas educativos inclusivo, flexível e resilientes. No entanto, também neste caso, essas reivindicações devem ser apoiadas com compromissos financeiros e ações concretas para que o direito à educação seja efetivamente garantido a todas as crianças.

Sobre crise climática, um dos temas mais cruciais no tempo presente,  apesar das posições divergentes dos países do G20 sobre como lidar com ela, o importante acordo foi alcançado para dar continuidade aos esforços para limitar o aquecimento global a 1,5° C acima do nível pré-industrial e ademais foi reafirmado o compromisso assumido pelos países desenvolvidos para atingir a meta de mobilizar US$ 100 bilhões a cada ano em apoio aos países em desenvolvimento.

Esta é uma mensagem encorajadora dos países do G20, responsáveis por quase 80% das emissões globais, especialmente tendo em vista a COP26 que iniciou no domingo, 31. Ações rápidas, ambiciosas e concretas terão de ser tomadas em Glasgow (Escócia) para atingir esse objetivo e aumentar o financiamento climático para apoiar os países mais pobres. Vamos esperar que essas palavras se tornem realidade concreta.

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