Round 6: o que os pais precisam saber sobre série que virou febre entre os jovens

07/10/2021
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07/10/2021 Marcia Ameriot

A primeira coisa que você deve saber sobre a série coreana da Netflix, da qual todos falam hoje em dia, é que ela NÃO É PARA CRIANÇAS. De fato, teria que ser avaliado caso a caso se é adequado para adolescentes, pois contém muita violência explícita.

A série, que está se tornando um fenômeno, estreou em meados de setembro na Netflix e rapidamente se tornou um dos conteúdos mais assistidos na plataforma, e tem sido um boom internacional. Muitos pais começaram a se perguntar do que se trata “Round 6“, que ouvem seus filhos falando. Se você já ouviu comentários sobre o programa em casa, é importante conhecer a trama da série e, se seu filho for assistir, pode ser uma boa ideia conversar juntos sobre isso.

De que trata “Round 6”?

Um grupo de pessoas, com dívidas financeiras, problemas familiares e uma má situação de vida, é recrutado por uma organização de homens misteriosos encapuzados para participar, em um lugar secreto e isolado, de uma competição de jogos infantis, mas adaptada: aquele que não passar no jogo morre. Esta é a trama da série em voga e, como dissemos, é extremamente violenta. Além disso, a plataforma chegou a advertir que algumas cenas poderiam ser prejudiciais aos espectadores fotossensíveis. A série aparece com uma recomendação de idade para maiores de 16 anos, mas a verdade é que muitas crianças e adolescentes abaixo dessa idade estão assistindo, sem supervisão de adultos, apesar de seu conteúdo violento e não apropriado para menores.

Que temas subjacentes aparecem na série?

A série tem muitos subtítulos sociais: é uma crítica ao capitalismo desenfreado e toca em questões como relações sociais, comportamento individualista, alianças, trabalho em equipe, competição levada a níveis extremos, ambição, o poder do dinheiro… Se nossos filhos assistirem, pode haver muitas questões para abordar, conversar e refletir com eles, desde que tenham idade suficiente e tenham a maturidade e o desenvolvimento adequados a esta ficção. Seu criador, Hwang Dong-hyuk, disse à revista americana Variety em uma entrevista: “Eu queria escrever uma história que fosse uma alegoria ou uma fábula sobre a sociedade capitalista moderna, algo que representasse uma competição extrema, algo como a competição extrema da vida. Mas eu queria usar o tipo de personagens que todos nós conhecemos na vida real. Os jogos são extremamente simples e fáceis de entender. Isso permite que os espectadores se concentrem nos personagens, ao invés de se distrair tentando entender as regras”.    Nos jogos macabros da série, não há opção para cometer um erro: sem segundas oportunidades, sem perdão, sem misericórdia. Quem comete um erro, paga por ele. Esta mensagem é cruel e dura, por isso seria importante refletir com os jovens e suavizar esta ideia, que é contrária à de tentar as coisas, melhorar a si mesmo, crescer e aprender com os erros.

E se meu filho quiser assistir a série?

Se seu filho ou filha quer assistir e você tem dúvidas em casa sobre se é conveniente ou não, a primeira coisa a fazer é assistir a um episódio para saber do que estamos falando e poder discutir com as crianças sobre o que pensamos e deixar claro os limites que queremos estabelecer. Como explica Maria Zysman, psicóloga e educadora espanhola, especialista em orientação parental e que trabalha há anos no uso responsável e seguro da Internet: “Isto lhes permitirá colocar em palavras o porquê preferem não assistir e é algo a se ter em mente sempre que surge um fenômeno maciço”.    É aconselhável avaliar vários aspectos: primeiro, a idade da criança e seu grau de desenvolvimento ou maturidade para ver como isso pode afetá-las ou como podem interpretar o conteúdo que aparece na série. Insistimos na ideia de que não é um conteúdo adequado para crianças e não é aconselhável que elas o observem em tenra idade: a recomendação de idade que a plataforma mostra é a partir dos 16 anos de idade. É importante perguntar-lhes por que querem assistir, o que esperam encontrar e o que chama sua atenção: em muitos casos será simplesmente para evitar ficar de fora das conversas, mas é essencial fazê-los entender que é um conteúdo difícil e que há razões para acreditar que é melhor não assistir. Se o adolescente tem a idade e maturidade que acreditamos ser necessária e os deixamos observar, é importante avaliar como a série os influencia ou como os afeta.

Há também jogos on-line

Nos últimos dias, em plataformas de jogos on-line, houve uma proliferação de jogos de vídeo em que cenários e testes similares aos da série são recriados. Neste caso, a recomendação seria conversar com seus filhos e discutir com eles o tipo de jogo que é e o conteúdo exibido nele, a fim de avaliar se é apropriado ou não, bem como levar em conta as recomendações de idade dadas pelos desenvolvedores dos jogos. De acordo com um estudo publicado há alguns anos e realizado por pesquisadores nos Estados Unidos para verificar a influência da televisão e dos videogames nas crianças, quando os pais estavam cientes dos programas e videogames que consumiam, as crianças dormiam mais, se desempenhavam melhor na escola e se comportavam melhor.    Também é importante observar como a criança ou adolescente se comporta ao brincar e depois de brincar, se sua atitude muda, se sinais de nervosismo são observados, etc.

O que conta como conteúdo inapropriado ou explícito?

De acordo com a  Sociedade Nacional para a Prevenção da Crueldade contra as Crianças, com sede no Reino Unido, o conteúdo que não é adequado para a idade da criança, ou que pode perturbá-la ou preocupá-la, inclui:

  • ataques terroristas, decapitações e atentados a bomba
  • crueldade para com seres humanos e animais
  • sites de auto-flagelação
  • conteúdo pró-anorexia e desordens alimentares
  • conteúdo pró-suicídio
  • abuso sexual e estupro
  • violência e conteúdo angustiante
  • locais de ódio
  • pornografia online

Marcia Ameriot

Bacharel em Comunicação pela PUC - SP e jornalista.Há mais de 30 anos atua no Terceiro Setor, tendo dirigido grandes fundaçōes. Desenvolveu sua carreira em Comunicação em veículos de comunicação como Folha da Tarde, Revista Pequenas Empresas Grandes Negócios. Especialista em Gestão de Organizações do Terceiro Setor pela FGV - SP, é Reinventora CORE e Diretora de Comunicação da Associação.
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