Sinal amarelo para a saúde mental: falar é prevenir

09/09/2021
Posted in Colunistas
09/09/2021 Marcia Ameriot

Setembro Amarelo é uma campanha de conscientização sobre a prevenção do suicídio. O dia 10 de setembro é o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, mas a campanha do Setembro Amarelo ocorre o mês todo.
A campanha foi criada em 2014 e é apoiada pelo CVV (Centro de Valorização da Vida), CFM (Conselho Federal de Medicina) e ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria).
A intenção é chamar a atenção para a prevenção do suicídio, relacionando a cor amarela com o assunto e garantindo mais visibilidade à causa.

A cor amarela foi escolhida por conta do programa Yellow Ribbon (Fita Amarela em inglês), fundado em 1994 pelos pais e amigos do jovem americano Mike Emme, vítima de suicídio. Mike era um rapaz muito habilidoso e restaurou um automóvel Mustang 68, pintando-o de amarelo. No dia do velório, foi feita uma cesta com muitos cartões decorados com fitas amarelas. Dentro deles escreveram a mensagem “Se você precisar, peça ajuda.”. A iniciativa foi o estopim para um movimento importante de prevenção ao suicídio, pois os cartões chegaram realmente às mãos de pessoas que precisavam de apoio. Desde então, o laço amarelo foi escolhido símbolo da luta contra o suicídio.

 

Política Pública

A OMS (Organização Mundial de Saúde) alerta sobre a necessidade de criar medidas e políticas públicas para a prevenção do suicídio. Para a Organização, através de mobilização para implementar ações eficazes é possível prevenir que a cada 40 segundos, uma pessoa tire a própria vida.

Segundo a OMS, apenas 38 países têm programas nacionais de saúde eficientes que previnem o suicídio. O Uruguai é um exemplo, que realizou um apelo à imprensa com o objetivo de melhorar a abordagem do assunto no noticiário, a fim de romper o tabu de que não se deve falar sobre suicídio na mídia. O Ministério da Saúde uruguaio realizou oficinas com jornalistas e outros profissionais para que o assunto seja tratado, sempre com responsabilidade, nas escolas, ruas e entre as famílias. É preciso não ter medo de falar sobre o assunto, derrubar tabus e compartilhar informações ligadas ao tema.

No Brasil, o CVV (Centro de Valorização da Vida) ajuda na prevenção do suicídio. O Centro, que atua juntamente com SUS (Sistema Único de Saúde), atende gratuitamente, através de ligação gratuita pelo número 188, todos os dias da semana. O atendimento é de total sigilo.

Atenção aos sinais

No Setembro Amarelo são reforçadas ações para chamar atenção das pessoas sobre os sinais de possíveis vítimas do suicídio. Preocupação com a própria morte, falta de esperança, expressão de ideias ou intenções suicidas, são sinais que indicam a necessidade de uma ajuda profissional para orientar as pessoas vulneráveis emocionalmente.

É necessário, ainda mais em tempos de pandemia, em que há um aumento no número de transtornos mentais e de suicídios, que as escolas, empresas, profissionais e sociedade em geral estejam atentos e falem sobre o problema, não tratem como tabu, aprendam a reconhecer sinais e saibam o que é mito e o que é verdade em relação ao suicídio.

Por que a prevenção é tão importante?

A prevenção ao suicídio é importante não só pelos números alarmantes, mas também porque existe uma grande possibilidade de que a pessoa, ao receber o apoio necessário, não venha a se suicidar. Não é regra, mas, na grande maioria dos casos, o suicídio está relacionado a algum transtorno mental que poderia ser tratado. De acordo com a Associação Brasileira de Psiquiatria, de 50 a 60% das pessoas que cometem suicídio nunca se consultaram com um profissional de saúde mental ao longo da vida.
Geralmente, quem pensa em interromper a própria vida se sente aliviado em poder conversar abertamente sobre o assunto, e tende a se sentir melhor ao perceber que alguém se importa com ele. Falar é sempre a melhor opção. E não precisa ter medo de conversar com a pessoa, estar aberto para escutar o que ela tem a dizer sem julgamentos ou críticas é fundamental. Evite fazer comentários do tipo: “é errado pensar assim”, “isso é pecado”, “olha quanta coisa boa você tem na sua vida”, ou ainda “você está louco, não pensa nisso”. O objetivo da conversa é oferecer apoio emocional, identificar qual é o risco imediato — que pode deixar de ser uma ideia ou ideação e se tornar uma tentativa — e, o mais importante, realizar o encaminhamento adequado.

Pontos de atenção para identificar se alguém está precisando de ajuda:

1. Pessoas que repentinamente se tornam agressivas ou impacientes ou que mudam o comportamento de uma hora pra outra podem estar dando um aviso de alerta ou pedido de socorro.
2. Apresentar tendência a se isolar, não querer sair de casa ou do quarto, não atender telefonemas, não querer falar com amigos, especialmente se a pessoa não costumava agir dessa maneira, é um ponto de atenção.
3. É comum ao ser humano falar e pensar na morte, mas pessoas com risco de suicídio tendem a falar mais sobre morte do o que normal, além de mencionar falta de esperança, culpa e uma visão negativa para com a vida e o futuro.
4. Situações extremas como perda de emprego, crises políticas e econômicas, discriminação (racial, por orientação sexual, por identidade de gênero), agressões psicológicas, conflitos familiares, perda de alguém querido ou doenças crônicas podem ser fatores de risco para o suicídio.
5. O uso abusivo de substâncias como álcool e outras drogas também pode representar um risco, ainda mais quando a pessoa está fora dos seus “padrões de consumo”, ou seja, quando há um aumento significativo no consumo dessas substâncias, em especial o álcool.

O suicídio é um fenômeno complexo, multifacetado e de múltiplas determinações, que pode afetar indivíduos de diferentes origens, classes sociais, idades, orientações sexuais e identidades de gênero. Mas o suicídio pode ser prevenido! Saber reconhecer os sinais de alerta em si mesmo ou em alguém próximo a você pode ser o primeiro e mais importante passo.

Onde buscar ajuda para prevenir o suicídio?

CAPS e Unidades Básicas de Saúde (Saúde da família, Postos e Centros de Saúde).

UPA 24H, SAMU 192, Proto Socorro; Hospitais

Centro de Valorização da Vida – 188 (ligação gratuita)


Centro de Valorização da Vida – CVV

O CVV – Centro de Valorização da Vida realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo, por telefone, email, chat e voip 24 horas todos os dias.

A ligação para o CVV em parceria com o SUS, por meio do número 188, são gratuitas a partir de qualquer linha telefônica fixa ou celular.

Também é possível acessar www.cvv.org.br para chat, Skype, e-mail e mais informações sobre ligação gratuita.

Também é possível utilizar o atendimento por chat e e-mail disponível nos ícones abaixo.

Conheça os postos e horários de atendimento

 

Referências:

Ministério da Saúde

Cartilha de orientação sobre prevenção ao suicídio – SESI RS

Marcia Ameriot

Bacharel em Comunicação pela PUC - SP e jornalista.Há mais de 30 anos atua no Terceiro Setor, tendo dirigido grandes fundaçōes. Desenvolveu sua carreira em Comunicação em veículos de comunicação como Folha da Tarde, Revista Pequenas Empresas Grandes Negócios. Especialista em Gestão de Organizações do Terceiro Setor pela FGV - SP, é Reinventora CORE e Diretora de Comunicação da Associação.
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