Como melhorar a capacidade de aprender?

08/09/2021
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08/09/2021 Marcia Ameriot

Os novos métodos utilizados na Neurociência, como a eletroencefalografia ou a neuroimagem funcional, permitem a análise dos processos neurofisiológicos relacionados com a capacidade de aprender ou aprender, de forma a compreender o funcionamento neurológico dos processos que a conduzem, observando assim o cérebro enquanto se aprender. Foi demonstrado que o processo de aprendizagem modifica nossa estrutura cerebral e gera novas conexões ou redes neurais, ou seja, nosso cérebro é moldável e, portanto, podemos desenvolver e aprimorar as capacidades que propomos.

Como ocorre o processo de aprendizagem?

O centro de nossas emoções, o chamado sistema límbico, realiza uma análise prévia de uma série de informações e situações. Dependendo de quão relevante julgamos uma informação ou situação, os neurônios dopaminérgicos de nosso sistema límbico decidem se transmitem ou não um impulso.

 

Nosso cérebro não armazena tudo o que vem a ele, ou detalhes insignificantes, mas faz uma seleção. Só armazenamos novas informações quando elas nos tocam de perto e as consideramos importantes. É quase impossível aprender sem envolvimento emocional. Curiosidade, empolgação ou mesmo um pequeno esforço estimulam uma atenção maior e aumentam as chances de que o que acabamos de aprender seja armazenado na forma de novas conexões neurais e aumenta nossa motivação para continuar realizando esses comportamentos.

O novo deve ser essencial e dotado de significado para que o chamado fertilizante neuronal, a dopamina, seja liberado. Cada vez que aprendemos, há uma modificação em nosso cérebro e para que isso seja mantido precisamos continuar praticando e ganhar mais experiência. Para ir do que lembramos por alguns dias ou apenas algumas horas ( memória de curto prazo) para um aprendizado consistente ao longo da vida (memória de longo prazo), devemos ter disciplina e persistir.

Como podemos melhorar nossa capacidade de aprender?

  • Treinar aos poucos e passo a passo : assim as sinapses podem ser reguladas para o resultado desejado e o que foi aprendido pode ser abstraído para outras situações.
  • De forma lúdica:  para que as sinapses sejam fortalecidas, devemos realizar treinamentos livres de sanções ou possíveis consequências negativas, para testar e fazer ajustes. Use também o humor e a surpresa.
  • Por imitação de modelos:  por meio de nossos neurônios-espelho, aprendemos por imitação.
  • Multissensorial:  envolve o maior número de canais sensoriais, desta forma os sinais serão armazenados em áreas diferentes e o acesso a elas será mais fácil.
  • Melhorar o ambiente: um ambiente enriquecido, estimulante, sem interferências, favorece a nossa aprendizagem. Concentre-se no que produz emoções positivas e evite ambientes estressantes, onde se consegue o oposto do aprendizado, já que diminuímos nosso desempenho e aumentamos a ansiedade.
  • Experimente diferentes estratégias:esquemas, mapas mentais, explique o assunto para outro, faça passeios relacionados, seja criativo e adapte a forma de aprender à individualidade de cada pessoa.
  • Oxigenação:  Manter um ambiente ventilado e fresco aumenta a concentração e a capacidade de reação.

 

 

Fatores mais importantes

Agora, os mais importantes são aqueles detalhados abaixo e se não tivermos cuidado, podemos confirmar que não teremos neurônios eficazes ou aprendizado ideal, são eles:

  • Descanso:  Os neurônios trabalham o dia todo e precisam de pausas para assimilar as novas experiências, experiências e conhecimentos adquiridos. Tanto o sono regular quanto os intervalos entre as tarefas são importantes.
  • Comida:  Nosso cérebro precisa ser nutrido para aprender e é essencial beber muita água e comer carboidratos complexos, gorduras essenciais, aminoácidos, vitaminas e minerais.
  • Movimento: o exercício não apenas fortalece nossos músculos esqueléticos e o sistema circulatório, mas também nosso cérebro e, portanto, nossos neurônios. A dopamina, a norepinefrina e a serotonina são secretadas durante o exercício. A dopamina motiva o nosso corpo, a norepinefrina tem um efeito de ativação física e mental e a serotonina aumenta a autoconfiança, transmite bom humor e reduz os estados de medo. Basta fazer exercícios moderados, mas constantes.

Nossa capacidade de aprender diminui com a idade?

Ao longo da vida as sinapses mudam, a criança tem que aprender muitas coisas e em pouco tempo para que aprenda cada vez mais rápido que um adolescente e isso mais que um adulto.

Isso não significa que depois de certa idade o aprendizado seja interrompido, mas ocorre de uma forma diferente. Os neurônios diminuem a velocidade para assimilar melhor os detalhes e integrar as informações, é uma época de especialização onde a qualidade é mais do que quantidade.

Outra questão é que, se um adulto adquiriu conhecimentos como falar várias línguas, por exemplo, será mais fácil para ele expandir seu repertório com novos do que um jovem que não possui nenhuma conexão desse tipo adquirida.

As faculdades se perdem com o passar dos anos?

Até poucos anos atrás, os pesquisadores partiam da teoria de que a capacidade de aprender se perdia com a idade. Estudos científicos atuais mostram, no entanto, que nosso cérebro sempre mantém sua capacidade de aprender, desde que o treinemos para isso. Nosso cérebro é maleável, ele cresce para se adaptar às tarefas que executa.

Quanto mais repetimos as informações que queremos aprender por meio de exemplos, melhor registrado será o que aprendemos. A partir dos exemplos, o cérebro deduz uma série de regras gerais e estabelece relações.

Se com o tempo não usarmos certas funções do nosso cérebro, as áreas relacionadas atrofiam e os neurônios daquela região morrem, perdendo todo o conteúdo relacionado armazenado por anos.

Devemos nos manter ativos, nos desafiar, aprender a cada dia, favorecer o relacionamento com os outros e assim manter uma boa qualidade de vida.

 

Referências bibliográficas

Prior experience enhances plasticity in adult visual cortex – Nature (2006)

Putting Neuroscience in the Classroom: How the Brain Changes As We Learn – Stanford University

A Neurologist Makes the Case for Teaching Teachers About the Brain – Edutopia

 

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Marcia Ameriot

Bacharel em Comunicação pela PUC - SP e jornalista.Há mais de 30 anos atua no Terceiro Setor, tendo dirigido grandes fundaçōes. Desenvolveu sua carreira em Comunicação em veículos de comunicação como Folha da Tarde, Revista Pequenas Empresas Grandes Negócios. Especialista em Gestão de Organizações do Terceiro Setor pela FGV - SP, é Reinventora CORE e Diretora de Comunicação da Associação.
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