Tragédia anunciada: Número de desligamentos por morte na educação mais do que dobra no início de 2021, diz Dieese

30/06/2021 Marcia Ameriot

O número de contratos de trabalho encerrados por motivo de morte na área da Educação cresceu 128% nos primeiros quatro meses de 2021, na comparação com o mesmo intervalo do ano passado, com registro de 1.479 desligamentos. Nesse período, a quantidade de desligamentos de trabalhadores em geral por morte no país aumentou 89%, passando de 18.580 para 35.125. Os dados são do Boletim Emprego em Pauta 21, produzido pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

 

Para o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Heleno Araújo, essse levantamento é muito preocupante e mostra o impacto da COVID-19 sobre a categoria da educação. “Este estudo deve fortalecer a campanha da CNTE e suas entidades filiadas em defesa do retorno seguro às atividades presenciais: “Essencial é a vida” e “Vacina para todos já”.

Entre as diferentes ocupações do setor, os profissionais do ensino — professores, coordenadores e diretores, entre outros — foram os que mais tiveram vínculos encerrados por morte: 612, em 2021, contra 233, em 2020.

Os empregados dos serviços que apoiam as atividades dos professores, como faxineiros, porteiros, zeladores e cozinheiros, formaram o segundo subgrupo mais afetado, com 263 desligamentos por morte. No ano passado, o número foi de 141, cerca de 45% menor.

Os trabalhadores com menos de 30 anos foram menos afetados. Ainda assim, os desligamentos por morte entre pessoas com idade entre 25 e 29 mais do que dobrou (+109%) no período investigado, subindo de 22 para 46 óbitos. Entre os trabalhadores na faixa etária entre 30 e 39 anos, o aumento foi de 148%, passando de 89 para 221 mortes.

Mortes na educação infantil

 

O número de contratos extintos por morte entre professores de nível médio que atuam na educação infantil e no ensino fundamental teve grande aumento: 238% nos quatro primeiros meses de 2021, passando de 21 para 71. Já o número de falecimentos entre professores de nível superior que atuam com crianças aumentou 137%, subindo de 70 para 166.

Fonte: Boletim Emprego em Pauta Número 21 – Dieese

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Marcia Ameriot

Bacharel em Comunicação pela PUC - SP e jornalista.Há mais de 30 anos atua no Terceiro Setor, tendo dirigido grandes fundaçōes. Desenvolveu sua carreira em Comunicação em veículos de comunicação como Folha da Tarde, Revista Pequenas Empresas Grandes Negócios. Especialista em Gestão de Organizações do Terceiro Setor pela FGV - SP, é Reinventora CORE e Diretora de Comunicação da Associação.
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