Bora elaborar hipóteses?

09/06/2021
Posted in Colunistas
09/06/2021 Claudia Ayres

Nos últimos textos que escrevi, tratei sobre como aguçar a curiosidade das crianças propondo algumas atividades simples e acessíveis até para fazer em casa ou no ensino on-line! 😉

E um dos pontos que chamei a atenção é que ao fazer com elas qualquer atividade experimental (lembra que fazer um bolo com ela acompanhando o processo é uma deliciosa experiência?), quando começarem a surgir as perguntas, busque ouvir com cuidado e atenção e…não dê a resposta pronta para ela!!! Sim! Isso mesmo que você leu! Nada de dar a resposta para a criança mas sim, devolva a pergunta pra ela! 😊

Se você ficar atento e fizer este movimento, em um primeiro momento a criança será pega de surpresa. Sabe por quê?

Porque ela pode estar acostumada a “receber” as respostas já prontinhas do adulto, seja ele pai, mãe, tio, tia, professores, qualquer adulto que esteja interagindo com ela. Poucas vezes ela tem uma janela de oportunidade para elaborar um pensamento e propor uma fala, uma explicação, uma HIPÓTESE!!!

 

E é sobre este momento de elaboração de hipóteses que eu proponho que você pense um pouco agora. Antes de mais nada, o que é uma hipótese pra você?

Talvez seja um caminho, uma possibilidade, uma alternativa e, é exatamente isso que a hipótese representa. Ela é uma criação do nosso intelecto para buscar explicar algo, seja o que for. E quando elaboramos uma hipótese ou até falamos uma de forma “automática” (que de automática não tem nada porque sempre pensamos sobre algo ou requisitamos algum conhecimento que já temos daquela situação, seja um conhecimento teórico ou vivenciado), estamos externando nosso modo de pensar sobre aquele tema, aquele contexto, aquela experimentação! E este nosso modo de pensar está carregado de ideias e concepções anteriores, conhecidas como concepções prévias, que nos ajudam a entender o mundo, explicando os acontecimentos ou sistemas que estamos expostos.

E isto tem uma valor gigante para a construção do conhecimento da criança bem como da formação dela como indivíduo. Sabe por quê?

Porque quando você oportuniza para a criança ummomento de fala, ela imediatamente se percebe como um indivíduo em si, com vez e voz para se colocar. Crianças não são adultos pequenos! São indivíduos com um pensar próprio e legítimo, que partilham de vivências do meio em que estão e que pensam, elaboram e compartilham seu modo de ver e explicar o mundo com outras crianças e, se tiverem chance, com adultos também.

Quando você conduz a criança para uma situação onde ela tem espaço para falar como pensa, você não só vai conhecer o que ela tem de bagagem teórica sobre aquele sistema ou evento, como vai mostrar que ela é importante, que o que ela pensa e fala tem valor. Para isso, quando ela ficar quietinha ou te responder algo como “eu não sei”, a incentive a pensar, a olhar os detalhes e buscar uma resposta, uma explicação à pergunta que ela mesma formulou. E não importa se ela vai demorar e/ou propor uma explicação, uma hipótese que, aparentemente, parece absurda. Valorize a fala dela! Estimule-a, encorajando com o que propõe. Acolha a hipótese trazida, sim? Lembre-se que ela está confiando em você, está se colocando vulnerável e isto, não é tarefa fácil.

Posso te garantir que além de fortalecer a confiança dela, você ficará surpreso com o quanto as crianças sabem e conhecem o mundo!

E aí? Será que te inspirei um pouquinho? Bora abrir espaço para as crianças explicarem o mundo? Se quiser, me conte o que você já vivenciou com as crianças explicando experimentações e outras situações mais: claudia.ayres7@gmail.com

Até mais!! 😊

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Claudia Ayres

Reinventora CORE, professora e pesquisadora, possui Bacharelado em Química pela Universidade de São Paulo (1995), Licenciatura em Química pela Universidade de São Paulo (2007), especialização em Psicopedagogia pelo INPG (2004), Mestrado em Ensino de Ciências - área Química pelo programa Interunidades da Universidade de São Paulo (2011) e doutora em Ensino de Ciências - área Química pelo programa Interunidades em Ensino de Ciências da Universidade de São Paulo (2018)
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