Educação pós-pandemia: o que de fato importa?

07/06/2021 Priscylla Spencer

A educação tem enfrentado fortes golpes com a Covid-19. No Brasil, desde março de 2020, cerca de 48 milhões de estudantes deixaram de frequentar as atividades presenciais nas mais de 180 mil escolas de ensino básico. São dados do último Censo Escolar divulgado pelo Inep (2019).
As soluções tecnológicas para tentar seguir com o ensino durante o confinamento trouxeram uma mudança dolorosa. Sair da sala de aula física e ir para a digital foi uma tarefa árdua tanto para os professores, que ficaram sobrecarregados, quanto para os alunos e pais. Sinal de quanto o sistema educacional está despreparado para o futuro.
E como as escolas poderão promover o aprendizado frente à diferentes realidades socioeconômicas existentes no País? Como despertar a criatividade das crianças e jovens, já que essa é uma soft skill primordial para a sobrevivência atual e futura?
A maioria das escolas não prepara os alunos para serem criativos e inovadores. Não os incentiva para desenvolverem reflexões sobre valores que construam ferramentas para lidar com as adversidades da vida. Não estimula a reformulação de pensamentos.
Neste sentido, a Covid-19 oferece uma grande oportunidade para repensarmos o que de fato importa na educação. Mesmo antes da pandemia, os sistemas escolares já estavam desconectados das realidades e necessidades dos alunos. Eles não aceitavam mais as fórmulas decoradas e um ensino sem questionamentos.

A pandemia é um sinal vermelho para a educação. Aprendemos com o distanciamento social que os meios digitais por si só não são suficientes. O ambiente escolar é fator determinante na construção da personalidade e no desenvolvimento de competências e habilidades sociais do aluno.
Essa crise nos ofereceu ainda uma excelente oportunidade para unir famílias e escolas. Os pais tiveram a oportunidade de acompanhar de perto o desenvolvimento de seus filhos, de enxergar seu comportamento, suas frustrações, seu emocional abalado.

 

A hora e a vez da Educação Emocional

Chegou a vez de as escolas também trabalharem a educação emocional dos alunos. Como afirmou o professor da Universidade Complutense de Madrid, Rafael Guerrero, “os jovens com maior domínio de suas emoções têm melhor desempenho acadêmico, maior capacidade de cuidar de si e dos outros, mais predisposição para superar as adversidades e menor probabilidade de se engajar em comportamentos de risco”.
É importante ensinar aos jovens que este mundo não pertence apenas a nós. É urgente enfatizar a conscientização sobre comunidade, coletivo e sociedade. A humanidade precisa ser capaz de pensar de maneira sistêmica, buscando antecipar o impacto de suas ações em múltiplos níveis e contextos. E a capacidade de prevenir riscos depende do acesso ao conhecimento, à educação e ao desenvolvimento da criatividade. Sem educação emocional não há criatividade. Não há pensamento crítico.

É necessário que o sistema educacional abrace formatos que envolvam mais grupos de colaboração, práticas integradas para a saúde mental, atividades em conjunto com a família, improvisação e processos criativos, possibilitando ao aluno responder melhor às necessidades e desafios do mundo atual, bem como os seus desafios internos.

Por que mudar?

O Brasil tem um caso de suicídio a cada 46 minutos. É a quarta causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos. A taxa de mortalidade por suicídio no país cresceu 2,3% em um ano, entre 2015 e 2016 *.
Nas últimas décadas, observa-se o crescimento ininterrupto dos casos de suicídio no Brasil. Os números são especialmente preocupantes entre os jovens. Em um período de 28 anos, o aumento foi de 30%, índice maior do que a média das outras faixas etárias. Isso sem considerar o impacto da pandemia na saúde mental desse grupo. “A sociedade está cada vez menos solidária, o jovem não tem mais uma rede de apoio. Além disso, é desiludido em relação aos ideais que outras gerações tiveram”, afirma Neury Botega, psiquiatra da Unicamp.

Depressão versus educação consciente

O que é a depressão? Por que mais de 320 milhões de pessoas no mundo sofrem com a doença? O que está acontecendo conosco, com os nossos jovens? O que fazer para resgatar a nossa integridade psíquica?
Vale questionar se uma educação voltada para o autoconhecimento não minimizaria as dores dos transtornos mentais e suicidas.
Nós, da ONG Espaço SER – Casa Matheus Campos, acreditamos que é possível mudar. E que nós, sociedade civil, pais, cidadãos engajados e motivados na luta por uma educação melhor, somos os grandes facilitadores dessa mudança.
Para mobilizar esse movimento, criamos o projeto ‘Educação Consciente e Integrativa’, que consiste numa forma simples e prática de transformar a base da educação sem muitos investimentos.
Mostramos, neste projeto, que é possível reestruturar a educação do nosso país unindo forças: escolas, pais, professores e alunos.
Apresentamos atividades práticas inovadoras e possíveis de serem feitas, que contribuem para uma educação consciente, liberta e criativa.
Acesse a cartilha do projeto ‘Educação Consciente e Integrativa’
Transformem a escola em um ambiente onde os estudantes sintam-se em casa, confortáveis para falar, expor ideias, criar, compartilhar, trabalhar em conjunto. E, acima de tudo, permitam a liberdade do ser para esses seres em formação.

Como disse o grande mestre Mário Sergio Cortella em uma de suas palestras: “Estamos vivendo um tempo de reviravoltas sem precedentes: na tecnologia, no trabalho, nas relações. Nesse contexto, mudar não é apenas imprescindível, mas inevitável. Principalmente quando se fala em educação”.

 

* Dados do Ministério da Saúde publicados no G1, canal de notícias, em 20/09/2018.

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Priscylla Spencer

Especialista em Facilitar Transformações, consultora, mentora e palestrante de liderança, educação disruptiva e mapeamento dos sentimentos.Estudante de Psicanálise, formada em engenharia de produção e gestão de projetos. Criadora do Método Mapeamento dos Sentimentos para Líderes.
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