Observando melhor o mundo

10/03/2021
Posted in Colunistas
10/03/2021 Claudia Ayres

Pensando em ideias que pudesse tratar aqui com a intenção de estimular a curiosidade, uma avalanche de possibilidades invadiu minha cabeça!!! Maaaaas, tentei refinar minha “busca” tendo como pontos de partida algumas premissas: seja o que for que pudesse sugerir, era importante que fosse algo simples de ser feito, seguro, com materiais acessíveis (tanto de serem encontrados quanto ao custo) e que cumprisse com o propósito de aguçar a curiosidade e de estimular a observação.

Por essa linha de raciocínio, a primeira sugestão que posso trazer é: usar a cozinha de casa!! Sim, a cozinha! E sabe por quê? Porque ela é um grande laboratório de química! Não só de Química, mas, vou puxar a corda para o meu lado, ok? (Se você é novo por aqui, saiba que sou química de formação!S2).

Cada vez que se cozinha um alimento, que se cortaa batata em pedaços menores para cozinhar mais rápido, que se coloca sal na água do macarrão para acelerar o cozimento e até coar um café fresquinho, dentre muuuuitas outras situações que eu poderia citar aqui, você está usando conhecimento científico. Baseando-me nisso, venho te propor  colocar uma criança junto contigo e fazer um bolo com ela. Claro, deve-se ter o cuidado com o calor e com os objetos cortantes. No entanto, eu te proponho a colocar a criança ao seu lado e ir, ingrediente por ingrediente, pedindo para ela acrescentá-los no recipiente da mistura; mostre a textura, o tamanho dos grãos do açúcar, da farinha (deixe ela tocar com as mãos um pouco de cada um para estimular o tato e a percepção), peça que ela olhe (com os olhos e com as mãos) e te diga se percebe diferenças e quais são elas, mostre como o óleo (caso a receita use este ingrediente) demora para escorrer e estimule que a criança o compare com a água e “sinta” as diferenças. Depois de tudo acrescentado, peça ajuda para ela misturar tudo – prepare-se para a bagunça! Rsrsrs Ao final da mistura de todos os ingredientes, pergunte se ela consegue ainda ver os ingredientes, peça para te descrever o que mudou. Coloque no forno e aguarde assar, mantendo a criança sob sua supervisão para que ela não se machuque ao tentar olhar o bolo que ela fez.

Pensa que a “experiencia” acabou?? Nada disso!

Quando o bolo estiver mais frio, mostre-o para a criança e instigue a percepção dela sobre as mudanças que aquela massa líquida que ela ajudou a misturar, sofreu: o tamanho (crescimento), os furinhos, as cores, a mudança na consistência e não esqueça dos odores!!!

Tem lembrança mais saborosa do que o cheiro de um bolo que acabou de assar?

Antes de trazer outra sugestão, gostaria de tratar dos tais furinhos do bolo. São eles os responsáveis pela fofura do bolo e são resultado da ação do calor no fermento químico. Aparecem em razão de um processo químico envolvendo o aquecimento do fermento na massa com formação de gás, no caso o gás carbônico. Você pode perguntar a ela como será que os furinhos apareceram ali, de onde eles vieram. Claro, isto para crianças maiores, talvez 8 a 9 anos. E, a partir das respostas (hipóteses para explicar o fenômeno) que a criança trouxer, você pode partir delas para fazer experimentos que envolvam formação e liberação de gás. Olha o método científico aí! 😉

Outra sugestão é o uso de lupa para aguçar a observação. A lupa é um instrumento ótico bastante simples que nos auxilia, a partir da ampliação do que se observa pela lente, a perceber detalhes que a olho nu, muitas vezes, passariam despercebidos. Sei que não é um objeto tão comum, que todo mundo tenha em casa. No entanto, são de relativa facilidade para se encontrar e há lupas de materiais bastante seguros e tamanhos adequados para crianças manipularem.

Imagine caminhar com uma criança por um jardim com uma lupa na mão, indicando à ela usar o instrumento para olhar “melhor” folhas, flores, pedrinhas, a areia e a terra, dando espaço para que ela fale sobre o que está vendo, pedindo que ela compare o que ela vê com a lupa e sem ela. Um exercício simples, prazeroso, possível e que pode favorecer uma mudança mais atenta e observadora na criança.

E aí? Será que te inspirei um pouquinho? Que ideia você teve para trabalharmos a observação?

Se quiser, me envie mensagem no email: claudia.ayres7@gmail.com

Até breve!! 😊

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Claudia Ayres

Reinventora CORE, professora e pesquisadora, possui Bacharelado em Química pela Universidade de São Paulo (1995), Licenciatura em Química pela Universidade de São Paulo (2007), especialização em Psicopedagogia pelo INPG (2004), Mestrado em Ensino de Ciências - área Química pelo programa Interunidades da Universidade de São Paulo (2011) e doutora em Ensino de Ciências - área Química pelo programa Interunidades em Ensino de Ciências da Universidade de São Paulo (2018)
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