Natal: o Nome de um Desejo

25/12/2020
Posted in Colunistas
25/12/2020 Adriano Vieira

Chama-se “encarnação” o fenômeno teológico que se caracteriza pela união entre o divino e o humano na pessoa de Jesus de Nazaré, o Cristo que nasce numa manjedoura de Belém. Não é raro, nas várias expressões religiosas, a presença de semi-deuses: entidades que misturam as substâncias divinas e humanas num único ser. O fenômeno, do ponto de vista antropológico, remete ao desejo do ser humano em aparentar-se com os deuses, de ter atributos divinos, particularmente a imortalidade.

Acreditar que um deus nasce como humano nos alimenta na esperança de reconhecer em nós a possibilidade de sermos, também, divinos. Mas poderíamos pensar por outro lado: Deus criou o ser humano, mas não era humano. Talvez desejasse sê-lo. Sua fraqueza, se é que pode-se dizer, residia no fato de não poder tornar-se a criatura que criou a não ser unindo-se a ela, amando-a, desejando-a. A encarnação pode ser, pensada por essa via, o desejo de Deus em tornar-se humano. Embora soe paradoxal, observamos num só fenômeno, o Natal, o desejo do homem em ser Deus e o desejo de Deus em ser homem.

Que o mistério do desejo seja o grande motivo de celebrarmos a esperança deitada sobre as palhas do presépio. Feliz Natal!

Adriano Vieira

É educador, doutor e mestre em Educação, bacharel e licenciado em Filosofia e licenciado em Pastoral Catequética. Tem formação em Psicanálise Clínica e Orientação Vocacional. Atuou como professor em todas as fases do ensino, dedicando-se, desde 2003, à formação de professores no âmbito da Educação Superior. É Mentor CORE.
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