Como a neurociência pode ajudar a educação em tempos de pandemia?

10/12/2020
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10/12/2020 Core

Os efeitos da pandemia de COVID-19 têm impactado muito além da saúde e dos hábitos de higiene das pessoas. As diversas medidas adotadas pelos governos, como tentativa de redução do contágio e disseminação do vírus, têm alterado o modo como nos relacionamos e vivemos. Na educação, em virtude da suspensão temporária das atividades presenciais, alunos e professores, acostumados com a troca física de informações, tiveram que se adaptar ao ensino à distância.

As instituições educacionais foram orientadas a fazer com que todas as partes envolvidas trabalhassem juntos de forma remota, pela internet, por meio da utilização de ambientes virtuais de aprendizagem e outros recursos tecnológicos disponíveis. No entanto, a adequação é muitas vezes difícil e gradativa, sobretudo em um cenário delicado como este, demandando mais tempo para acontecer. Isso porque, além de exigir mais autonomia e autogestão por parte dos estudantes, o ensino remoto traz uma série de novos desafios, não somente para os alunos, como para pais e professores.

A neuroeducação como reforço na adaptação ao novo modelo de estudos

Nesse sentido, as neurociências podem ajudar na adaptação a essa nova realidade. A neuroeducação, por exemplo, compreende o estudo do cérebro em relação as suas formas de aprendizagem e às dificuldades, bem como o desenvolvimento de técnicas e métodos para uma maior eficiência no processo didático-pedagógico. Ela atua levando em conta as particularidades de um determinado grupo e de cada pessoa, uma vez que cada cérebro é único e diversos são os fatores que podem determinar o sucesso na absorção do conteúdo transmitido.

De que forma cérebro recebe a mensagem?

Conhecer os mais diversos aspectos do funcionamento do cérebro humano é relevante a todos que fazem parte do processo de educar, visto que a aprendizagem resulta de um evento cerebral multifatorial extremamente complexo, e que implica uma transformação na estrutura mental do aprendente.

O cérebro é moldável e suas funções cognitivas tais como a percepção, a atenção, a memória e a linguagem se desenvolvem predominantemente como resposta aos estímulos externos. A aprendizagem acontece por meio da estimulação das conexões neurais, fenômeno que pode ser potencializado com a aplicação correta de intervenções pedagógicas específicas.

Nesse contexto, se faz necessário selecionar as informações que serão dirigidas e a forma como elas serão transmitidas. Até mesmo as nuances no tom de voz e na expressão facial de quem ensina podem ser rapidamente interpretadas como amistosa ou agressiva, por exemplo. Isso dispara um conjunto de sinapses, de tal forma que se entendida como agressiva, irá gerar adrenalina via cortisol e em consequência um bloqueio, o que dificulta a assimilação, a memorização e, portanto, o aprendizado de um determinado conteúdo.

Ainda além da forma, a quantidade também demonstra ser determinante, já que a memória de curto prazo é limitada e pode não ter capacidade de processar um grande volume de dados.

Assunto absorvido é conhecimento consolidado

Para que ocorra a fixação da matéria, o conteúdo precisa ser percebido de forma positiva e amigável. Ele deve ter coerência, levando-se em consideração as experiências e o conhecimento prévio do aprendiz. A mensagem precisa fazer sentido e emocionar positivamente o estudante. Precisa ter significado para ele, pois a memória é transitória. Se não houver novas ativações da mesma experiência, os conceitos não serão absorvidos e aprendidos de maneira consistente.

Em complemento, a participação ativa dos aprendizes na construção e no aperfeiçoamento do processo de aprendizado, até mesmo nas tomadas de decisão, é muito importante para o seu engajamento e motivação.

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