Um caminho: o método científico

14/11/2020
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14/11/2020 Claudia Ayres

Tenho falado nos textos anteriores sobre a minha confiança na implementação de experimentação científica na Educação Infantil e como o brincar pode ser um portal para conduzir a criança nestas descobertas do mundo das Ciências da Natureza. No entanto, ao parar para pensar sobre isso, talvez alguns de vocês se sintam, ao mesmo tempo, empolgados e (por que não?!) um pouco desconfiados sobre como conduzir esta vivência. Se você estivesse agorinha mesmo na minha frente, conversando comigo sobre meus textos anteriores, talvez, uma das perguntas que você faria, seria: Claudia, como fazemos isso? Como colocar a experimentação de Química (aqui, provavelmente vocês fariam uma cara de espanto! rsrsrsrs), Física (outra cara de espanto? rsrsrs) e Biologia para crianças tão pequenas? Pois, aqui, eu resgato com vocês uma proposta de trabalho bastante conhecida dentro do meio científico (e discutida também) chamada de Método Científico. Acredito que em algum momento de sua vida acadêmica você ouviu falar ou até foi colocado em contato com ele e o vivenciou. Mas, caso você não se lembre ou nunca tenha ouvido falar, acredito ser relevante resgatar que o método científico tem suas bases no pensamento de Descartes, um filósofo, físico e matemático que propõe que se pode chegar à verdade através de duvidas sistemáticas (de maneira simples podemos pensar, buscar fazer perguntas para entender algo) e também propõe a decomposição de um problema em partes menores (de maneira mais simples, um problema é formado por pequenas partes). Estas características do pensar propostas por Descartes são a base do método científico. Claro, este modelo de produção de conhecimento foi sendo alterado com o passar dos anos e atualmente, ainda sendo bastante discutido, há uma organização base:

– Observação

Formulação de um problema

– Hipóteses

– Experimentos para testar as hipóteses

– Análise dos resultados

– Interpretação

– Publicação das conclusões.

Pensando em como organizar este processo de construção do saber, como podemos chegar à verdade através de dúvidas sistemáticas? Ou seja, como buscamos entender algo? Normalmente, quando temos interesse por conhecer algo, nós fazemos perguntas! Huumm, perguntas que podem envolver tanto o aspecto do objeto ou situação, como sobre a estrutura e funcionamento, certo? Maravilha! O que as crianças mais fazem quando querem saber de algo? Elas observam e perguntam!! E depois, perguntam e observam de novo. E mudam suas perguntas a partir das novas observações e…perguntam de novo! Rsrsrsrs Ah! Também buscam responder as suas próprias perguntas ou as que alguém faça para elas!! Conseguem perceber? As crianças são cientistas natas!! Elas aplicam o método científico de forma completamente natural.

Agora, imagine usarmos esta forma de conhecer o mundo tão natural para as crianças com uma intencionalidade? Ou seja, que as crianças tenham por perto alguém que haja como mediador deste caminho, tendo uma proposição sistematizada do percurso, sabendo de onde vai sair e onde quer chegar, mas sem medo de possíveis mudanças pelo percurso?

Vou te deixar com mais esta provocação! rsrsrsrs

E vamos continuar conversando sobre o método nos próximos textos, ok? 

Até breve!

Claudia Ayres

Reinventora CORE, professora e pesquisadora, possui Bacharelado em Química pela Universidade de São Paulo (1995), Licenciatura em Química pela Universidade de São Paulo (2007), especialização em Psicopedagogia pelo INPG (2004), Mestrado em Ensino de Ciências - área Química pelo programa Interunidades da Universidade de São Paulo (2011) e doutora em Ensino de Ciências - área Química pelo programa Interunidades em Ensino de Ciências da Universidade de São Paulo (2018)
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