A importância do futurismo na educação do século XXI

Junho 14, 2020
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Junho 14, 2020 Wellington Porto

Projetando o futuro, hoje.

Futurismo é a ciência que estuda o futuro de forma interdisciplinar para poder influir sobre ele. Surgiu logo após a Segunda  Guerra Mundial, quando foram convocados cientistas, estudiosos e acadêmicos para entender o que poderia acontecer com o mundo no pós guerra e para que pudessem ajudar a projetar cenários futuros.

O futurista ajuda a preparar pessoas para as mudanças, através de informações e análises. Utilizando  metodologias e ferramentas, ele estuda as mudanças de forma muito profunda e sistêmica.

O futuro é plural e está dividido em provável, possível e preferível.

O futurismo como ciência, até pouco tempo atrás, era ensinado apenas em cursos de mestrado, voltado a atender as necessidades de ensinar a projetar estudos prospectivose antecipatórios a líderes de governos, instituições como a NASA e a ONU e a altos executivos de grandes empresas. Podemos citar algumas escolas de formação de futuristas profissionais pelo mundo, como a Universidade de Houston, IFTF (Institute For The Future), SingularityUniversity, Universidade de Turku e Universidade de Jerusalém. O Brasil não possui nenhuma escola de formação de futuristas profissionais.

O Brasil, apesar de já ter sido considerado  o “país do futuro”, não está preparado para assumir este protagonismo; não temos um aspecto de pensar o futuro distante para ver quais serão as consequências de nossas ações no futuro.

Na escola só ensinamos o passado, exigimos dos alunos que decorem datas e eles são penalizados por não decorá-las.

Por que assim como ensinamos a história nas escolas também não ensinamos o futuro?

É no futuro que serão tomadas as decisões de um mundo que precisa ser construído. O futuro é de onde vem o novo, de onde brota a imaginação, a inspiração para criar para inovar para se preparar, e os jovens não estão sendo preparados para pensar naquilo que eles querem do mundo, que vida eles querem viver neste futuro.

Assim como ensinar história é importante, ensinar o futuro também é muito importante.

Os professores precisam ser capacitados em futurismo, pois eles são a interface entre as novas gerações.

Os jovens de hoje estão sendo drasticamente impactados pelas tecnologias emergentes (IA, IoT, RA, VR, Robótica, Blockchain) e a convergência destas tecnologias está impactando de forma nunca vista o mundo do trabalho, onde 70% das profissões que existem hoje, não existirão mais em um universo de 5 a 10 anos.

Estes jovens precisam estar capacitados para projetar suas próprias profissões em um mundo cada vez mais conectado, autônomo e colaborativo.

Desenhar suas próprias profissões e ser protagonistas de seu futuro é o único caminho para que os jovens não tenham seus futuros colonizados (no futurismo,  é quando vivemos um futuro que não foi pensado ou projetado por nós, vivemos um futuro projetado por outras pessoas, sonhado por outras pessoas)

O futuro não caminha sem uma reflexão sobre o passado. Não podemos perder o lastro, o que temos hoje veio de um pensamento original. A vida se explica muito através dos filósofos antigos. Devemos aprofundar conhecimento, mas não impor conteúdo.

Teach The Future é um movimento futurista global, fundado pelo professor dos maiores futuristas do mundo, Dr. Peter Bishop. Presente em 23 países e que tem como objetivo inserir os Estudos do Futuro, popularmente conhecido como futurismo,  na educação desde o ensino básico até o superior.

Jovens estão sendo preparados para profissões que não irão mais existir, utilizando métodos antigos e obsoletos para resolver problemas que nem sabemos ainda quais serão.

Ensinar o futuro é pauta da agenda mundial, indicado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) como prioritário para o século XXI.

Teach The Future nasceu para preparar os jovens para este futuro, para que eles se apropriem deste futuro.

Mais importante que a tecnologia é a imaginação humana, o campo criativo que existe em cada jovem, principalmente nas crianças.

Não adianta uma escola ter uma série de tecnologias, Inteligência Artificial, Impressora 3D, Realidade Virtual se a imaginação dos jovens não está sendo cultivada.

As escolas, uma grande maioria delas, não cria espaços para acolher essa imaginação.  É exatamente neste campo do absurdo e daquilo que nós , os adultos, achamos ridículo é onde está o novo.

Benefícios do futurismo

a) Entender, antecipar e reconhecer mudanças;
b) Treinar o olhar atento e curioso;
c) Capacitar o pensamento criativo para imaginar vários futuros possíveis
d) Incentivar o pensamento crítico e estar ciente da complexidade do nosso contexto e questionar o que nos acontece;
e) Melhorar as habilidades de colaboração e comunicação
f) Desenvolver sua autoestima como agente de mudança

Futurismo no ensino Básico

Através de exercícios de insights criativos, criação de timelines futuristas e prototipagem de soluções futuristas, os mais jovens se tornarão pequenos detetives, aprenderão a estar atentos aos sinais de mudança e encontrarão as pistas do futuro no presente, que lhes permitirão desenvolver seu pensamento crítico, estar sempre atualizados e adaptar-se de forma flexível e resiliente ao seu dia a dia. Eles serão os exploradores do presente e se tornarão os designers de seus futuros. Ensiná-los a entender melhor o presente para que possam navegar com sucesso em seu futuro.

Futurismo no ensino Médio

Através do playbook Pensar Futuros, desenvolvido por futuristas profissionais para Teach The Future, os estudantes e professores do ensino médio conseguirão aplicar o futurismo em sala de aula. Onde os estudantes aprenderão a como identificar sinais de mudanças e a entender como elas podem impactar suas escolhas de futuros nas áreas Social, Tecnológica, Econômica, Ecológica e Política, a base da matriz STEEP desenvolvida por futuristas profissionais para projetar cenários futuros. A única coisa constante é a mudança, e todos nós estamos cientes desta realidade. Mas estamos preparando os jovens para um ambiente de mudanças constantes?

Futurismo no ensino Superior

Pense como um futurista.

Seja curioso, filtre informações, antecipe-se as mudanças, observe os sinais, elabore hipóteses e tenha uma mentalidade de teste. Os jovens do ensino superior aprenderão a cultivar a mentalidade de um futurista, totalmente em linha com as habilidades do século XXI.

Profissões como Coolhunting e  Trendwatching, uma espécie de caçadores de tendências e propulsores de Insights Criativos e os Designers de Ficção Cientifica, que utiliza o Design Fiction para modelar cenários futuros utópicos e distópicos, estão entre as profissões que mais crescem no século XXI, e estas profissões nasceram de ramificações do futurismo.

“A escola precisa valorizar a imaginação! Precisamos ter tempo para contemplar o universo e nutrir a imaginação. O aprendizado é eterno, o tempo de aprender é sempre.” (Rosa Alegria – Futurista)

 

Referências, materiais e sites

Teach The Future – www.teachthefuture.org

Playbook Ensinar Futuros – www.eskolare.com/l/teach-the-future

Biblioteca Teach The Future – https://library.teachthefuture.org/

Revista Você S/A – https://vocesa.abril.com.br/carreira/6-passos-para-ampliar-o-horizonte-e-pensar-como-um-futurista/

The Millenium Project – http://www.millennium-project.org/

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Wellington Porto

Wellington Porto é diretor do Teach The Future Brasil, Designer de Negócios Digitais, Expert em Inovação e Ativista na Construção de Futuros Desejáveis.wellington@teachthefuture.orgLinkedIn: https://www.linkedin.com/in/wellingtonporto-businessdesigner/
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