Rabiscos Legíveis

Junho 9, 2020
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Junho 9, 2020 Maria Clara Arantes

O ódio do homem se mostra nas mais absurdas expressões de descaso e interesse próprio, nos mais cortantes gritos de uma autoridade indigna que ultrapassa diariamente os limites do próprio ego. Não preciso direcionar minhas palavras, pois infelizmente não falo sobre um homem retórico, preso às minhas metáforas. Falo do real dessa vez, do homem que reina na própria cabeça um país já cansado do próprio fracasso, cansado das diferentes formas que se vê dependente de homens engravatados de caráter duvidoso, submetido a decisões da mente de um insano.

O preconceito, os ataques à ciência, a falta de respeito e o evidente apoio a práticas criminosas  não foram suficientes para elucidar do perigo que esse – se é que pode ser assim chamado – ser humano trazia. Não foram suficientes para sensibilizar os mais sensatos, e tampouco para mostrar através da lógica o caos que viria. E que agora atinge muito mais que “só” uma minoria.

O mais presente sentimento de ódio nos olhos do homem que defende o povo brasileiro como restrito a apenas sua própria família nos mostra a mais pura evidência de seu descaso com vidas humanas. Com a vida de seu próprio povo, pessoas normais que acordavam todos os dias em busca de dias melhores. Em busca de verdades que, segundo o próprio, vos libertará. A hipocrisia se faz presente tanto quanto a insensatez e o absurdo.

Falo como jovem, obviamente. Falo com a esperança perdida e com o pesar de vidas que se foram e, infelizmente, continuarão indo. Tudo que digo nesse texto você já leu em outros lugares, em meio ao sentimento generalizado de descrença e insatisfação. Me posiciono contra o ódio semeado pelas práticas de um presidente alienado e sem qualquer traço básico de civilidade que nos permita sentir o mínimo de esperança.

Maria Clara Arantes

Maria Clara Arantes tem 16 anos, é estudante do Ensino médio na Etec Fernando Prestes, em Sorocaba, São Paulo.
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