O Poder da Mente e Como Silenciá-la em Busca de Equilíbrio

30/05/2020
Posted in Colunistas
30/05/2020 Celiah Ameriot

A maneira de pensar e formar imagens mentais, modela, configura e cria nosso destino. Assim como pensamos na nossa mente subconsciente, assim somos.

Porque alguém vive rodeado de medos e ansioso e outra pessoa transborda fé e confiança?
Porque algumas pessoas se salvam de doenças consideradas incuráveis e outras não?
Porque pessoas boas sofrem na mente e no corpo, vivem sem saúde, sem abundância e sem prosperidade e algumas pessoas, consideradas sem moral, prosperam e parecem ter saúde radiante?
Nosso tempo não seria limitado a medos, julgamentos, inverdades, conflitos, guerras, assim como sempre foi desde o início da vida na Terra, se nossa mente subconsciente não seguisse nos contando suas historinhas. Se não funciona plantando a necessidade do que é supérfluo, funciona nos colocando no papel de vítimas. Nós criamos nossa própria realidade.

O fluir da nossa vida responde aos nossos pensamentos e sentimentos. Como diz o TAO – A sabedoria do silêncio interno: “Se você se identificar com o êxito, terá êxito. Se se identificar com o fracasso, terá fracasso”.
Henry Ford disse a clássica frase:
“Se você pensa que pode ou se você pensa que não pode, de qualquer forma, você tem toda a razão”.
Assim, podemos observar que as circunstâncias que vivemos são simplesmente manifestações externas do conteúdo da nossa conversa interna. Problemas dominam as mentes de alguma pessoas e bloqueiam sua capacidade de escutar e compreender.

Você é o que você pensa

A lei da vida é a lei da crença: podemos resumir a crença aos pensamentos. Assim como a pessoa pensa e sente, assim é o estado da sua mente, corpo e circunstâncias .
A mente vagueia de um lado para o outro, se inundando de maus pensamentos e nos sentimos frustrados, incapazes, trazendo para nosso corpo um sentimento profundo de tristeza.
Compreender quem somos, o que fazemos, porque fazemos, vai produzir autoconhecimento e, a partir daí, podemos buscar a transformação. Mas, indo na raiz da palavra, precisamos transformar em ação . Se ficarmos parados aguardando que algo aconteça sem realizarmos uma mudança significativa, uma reprogramação da mente, nada acontecerá. A resposta está nessa virada de chave, na materialização do desejo mais profundo.
Se mudarmos os padrões mentais e redirecionarmos nossa vida emocional, alcançaremos o equilíbrio necessário para uma vida mais plena.

Assim como fomos criados à imagem e perfeição de Deus, do Universo, da energia que direciona toda a existência, assim podemos curar nossas vidas. Não sabemos como usar nossa mente para o sucesso, para a alegria ou a vida dos nosso sonhos; ficamos estagnados, presos a identidades distorcidas de nós mesmos
Todos desejamos coisas boas. Precisamos, então, unir-nos mental e energeticamente ao que desejamos para as nossas vidas. Sentirmos que somos capazes, fortes e que temos a potencialidade de sermos filhos desse Universo pulsante, do grande Arquiteto de tudo o que é.
Não será de um dia pra o outro, não será simples. Reprogramar a mente exige esforço, vai doer, por vezes vamos querer desistir, mas é preciso perseverar até que a grande virada aconteça.

 

O yoga ensina as pessoas a respirar (pranayamas)

O Yoga como ferramenta

Nesse sentido podemos ter no Yoga uma ferramenta para alcançar o estado de equilíbrio mental, físico e emocional necessários para uma vida mais plena.

Yoga citta-vrtti-nirodhah termo em sânscrito que significa:
Citta – mente
Vrtti – variações
Nirodhah – restringir, parar

Yoga – unir o que está disperso

Yoga, então, significa controlar as funções da mente, cessar o turbilhão da mente.
O resultado do controle da mente é a pessoa na sua verdade, na sua essência.
Se não vivermos em Yoga, estaremos vivendo em um estado ilusório, seremos dominados pela mente. Então, temos duas opções: não praticar Yoga e vivenciar as designações e situações falsas da mente; ou praticar a definição de Yoga e atingir nosso estado real e eterno.
No Yoga Sutra, um tratado sobre o Yoga, Patanjali , o filósofo indiano que ordenou e sistematizou a prática demonstra uma definição de Yoga comum nas traduções mais populares: as funções, as agitações e os fluxos da mente precisam ser parados. Bastam alguns segundos de autorreflexão para percebermos que nossa mente normalmente está “a mil por hora”, pensando em inúmeras coisas, no passado, presente e futuro, pulando de um assunto para o outro ininterruptamente. Yoga, então, visa cessar esse processo, controlar as funções da mente.

A respiração como aliada

Patanjali criou o Yoga dos oito membros : yamas (abstenções), niyamas (observâncias), asanas (posturas), prāṇāyāma (controle da respiração) , pratyāhāra (retirada dos sentidos), dhāraṇā (concentração), dhyāna (meditação) e samādhi (unidade).

As práticas de respiração são chamadas prāṇāyāma, que é uma palavra sânscrita para prana (energia vital) e yama (controle). Refere-se a uma série de exercícios respiratórios controlados voluntários que manipulam a frequência respiratória, inalação (puraka), retenção (kumbhaka), expiração (rechaka) e bloqueios do corpo (bandhas).
A prática do pranayama influencia muitas variáveis fisiológicas. As evidências sugerem que sua prática produz um impacto positivo no sistema cardiorrespiratório , onde a respiração lenta leva à redução da freqüência cardíaca e à diminuição da pressão arterial sistólica e diastólica , enquanto a respiração rápida leva a menos robusta, mas consistente aumento da frequência cardíaca.
De fato, um estudo anterior observou que a prática do pranayama Bhastrika, que alia a inspiração abdominal e diafragmática à expiração rápida, em uma frequência acelerada. A prática do bhastrika pranayama aumenta nossa vitalidade e dissolve bloqueios energéticos através de uma ação respiratória vigorosa.
Nesse pranayama absorvemos e expelimos o mesmo volume de ar na mesma proporção e num mesmo curto período de tempo acionando o diafragma e a parede abdominal.
Estudos observaram a diminuição significativa da pressão arterial sistólica e diastólica, com uma diminuição modesta da freqüência cardíaca . Além disso, alterações na variabilidade da frequência cardíaca , também levam a crer que a prática do pranayama melhora a função respiratória e o equilíbrio simpato vagal cardíaco, que são importantes variáveis relacionadas ao estresse psicofisiológico.
Notou-se , também, que a prática do pranayama modulou a atividade das regiões do cérebro envolvidas no processamento emocional.
Vários estudos apoiam efeitos positivos significativos de diferentes práticas de Yoga na ansiedade e depressão, mas muito poucos exploraram o impacto da prática do pranayama em variáveis neurofisiológicas, psicológicas e psiquiátricas, embora as evidências sugiram uma melhor auto-regulação, positiva humor, estresse reduzido e ansiedade.

Um estudo que avaliou os efeitos do pranayama rápido e lento no estresse percebido e nos parâmetros cardiovasculares em jovens estudantes , observou uma diminuição significativa do estresse, nos dois tipos de pranayama, enquanto os parâmetros cardiovasculares foram reduzidos apenas no ritmo lento. Além disso, evidências sugerem que programas de Yoga que incluem pranayama resultam na redução da ansiedade.

Um estudo de viabilidade recente encontrou evidências do impacto positivo do pranayama em pacientes com transtorno de ansiedade generalizada resistente ao tratamento convencional.
Percebeu-se que o pranayama exerce seus efeitos através do estímulo do nervo vago, ligado ao sistema nervoso parassimpático, que regula o estado de calma e tranquilidade.
O estudo demonstrou que o aumento da atividade parassimpática (associada ao tempo de expiração) reduz a liberação de hormônios associados ao estresse e melhora a inibição de GABA , um neurotransmissor que funciona como um ansiolítico natural , reduzindo sintomas psicológicos e somáticos associados ao estresse.

Estudos recentes mostram que práticas de Yoga, como meditação, estão associadas a processos de regulação emocional.
Desta forma, e frente a tantas comprovações científicas, podemos entender o poder curativo que temos no nosso organismo . E que existem práticas que nos auxiliam a não sermos dominados pela nossa mente e que sim podemos reprogramá-la.

 

Esse tema rende muitas conversas. Falaremos mais sobre isso nas próximas colunas. Me acompanhe também no Instagram.

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Celiah Ameriot

Celiah Ameriot – Professora de Hatha Yoga, Instrutora de Meditação e Respiração 3 Cs, Coach de Vida para Mulheres, Thetahealer, estudiosa da Física Quântica e Reinventora CORE.
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