Quem é o professor reflexivo?

28/10/2019
Posted in Colunistas
28/10/2019 Devanir Fernandes

 A definição de professor reflexivo vem sendo extensamente debatida nos ambientes educacionais de diversos países, inclusive no Brasil, a partir dos anos 90. Mais afinal, quem é o professor reflexivo? O que o torna distinto dos outros professores?

Schön (2000), fala que o professor reflexivo funda-se na consciência da habilidade de pensamento e reflexão que distingue o indivíduo como criativo e não apenas um simples reprodutor de opiniões e métodos que lhe são externos. Assim sendo, há a necessidade de reflexão para a ação, na ação e a respeito da ação.

Dessa forma, o professor como profissional reflexivo não age apenas como um simples transmissor de conteúdos, mas, em sua influência mútua com os educandos, professores, e toda a comunidade escolar, sendo capaz de refletir a respeito de sua prática, conferindo suas atuações e aquilo que avalia confiar como adequado para sua ação profissional com as implicações a que elas gerem. Nesse sentido, fica óbvia a necessidade de apropriar as suposições empregadas em sala de aula com a realidade e a necessidade dos educandos, e não fundamentar-se em suposições que nada têm a ver com os principiantes.

Porém, Paulo Freire (1996) ensina que os saberes acadêmicos conseguidos nas cadeiras escolares não são suficientes para formar um bom professor.  É ingênuo aquele que pensa que está preparado para extrair de seus alunos o que eles têm de melhor somente com sua experiência como docente.  

Na perspectiva freiriana os saberes adquiridos na prática não superam e não alcançam o rigor metódico que caracteriza a ação reflexiva do professor que pensa a respeito de sua pratica e de suas estratégias de aprendizagem (metacognição). Os saberes da experiência são fundamentais, mas não suficientes.  Os alunos precisam ser conquistados, motivados, instigados e a questão é saber se também tiveram mestres que os provocassem nestes atributos.  Os professores só poderão causar esse afeto nos alunos se eles próprios forem reflexivos.

A modalidade educacional brasileira não prepara o docente para desenvolver o potencial de reflexão em si próprio e no aluno. Diante dessa realidade, é necessário promover uma educação que o conduza ao pensamento reflexivo (DOMINGUEZ, 2015; FREIRE, 1996).

Contudo, como promover o desenvolvimento do pensamento reflexivo no aluno, se os próprios professores não o possuem? No paradigma da complexidade, também denominado visão sistêmica, a necessidade do momento está relacionada ao ato de refletir, procedimento por meio do qual o professor se torna ciente de suas próprias limitações referentes à prática docente, bem como suas estratégias de aprendizagem. Somente em posse do autoconhecimento ele poderá conduzir os alunos pelo mesmo caminho da reflexão (BEHENS, 2017).

O professor reflexivo se apropria da pedagogia emancipatória, aprendeu a aprender, para posteriormente se posicionar em face de sua missão enquanto docente, e ensinar aos alunos técnicas de aquisição de conhecimento, efetivas e funcionais. É necessário que as universidades brasileiras formem professores capazes de refletir sobre sua prática docente.

A formação do professor reflexivo é uma opção que se exibe perante as dificuldades provenientes de sua formação inicial e continuada para assessorar em sua vida profissional. Nessa perspectiva, é necessário compreender que educação e reflexão necessitam estar conectadas no processo de ensino-aprendizagem, sendo a escola indispensável como espaço de edificação de uma conversação crítica.

A reflexão é essencial no desempenho diário de qualquer docente, já que admite a inovação nas aulas, fugindo da rotina. Entretanto, não é somente com o conhecimento que se aprende, mas através da reflexão sobre ela, podendo, dessa maneira, analisar o aprendizado, adaptando-o de acordo com o que for imprescindível.

Conclui-se, deste modo, que a formação de docentes precisa dar destaque a uma concepção que dirija o profissional da educação a um método docente ativo com desempenho e reflexão sobre sua atuação, distinta do estágio formador de aptidões e desempenhos para reprodução de normas burocráticas e bom emprego de informações teóricas.

REFERÊNCIAS

BEHENS, M. A. Paradigma da Complexidade: Metodologia de Projetos, Contratos Didáticos e Portfólios. Rio de Janeiro: Editora Vozes, 2017.

DOMINGUEZ, Caroline (org.). Pensamento crítico na educação. Desafios atuais. Vila Real: UTAD, 2015. – 311 pp, 2015.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996. Coleção leitura.

 

Devanir Fernandes é Reinventor CORE. Filósofo, psicopedagogo e mestrando em Ciências da Educação pela UDE, Universidad de la Empresa, Montevideo, Uruguai. Coordenador pedagógico e autor de material didático para Ensino Fundamental I. Palestrante

× Precisa de ajuda?