Suicídio: precisamos falar sobre isso

Setembro 10, 2019
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Setembro 10, 2019 Marcia Ameriot

Hoje, 10 de setembro, celebra-se o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. Instituída em 2003 pela Associação Internacional para a Prevenção do Suicídio e pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a data tem como objetivo prevenir o ato do suicídio através da adoção estratégias por governos de diferentes países. No Brasil, a celebração integra a campanha #SetembroAmarelo, que é realizada no país desde 2014, numa iniciativa do Centro de Valorização da Vida (CVV), Conselho Federal de Medicina (CFM) e Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).

Relatório OMS

A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou ontem, segunda-feira (9), um relatório sobre o tema.   O relatório com dados de 183 países destaca que, “no geral, a média global de taxa de suicídio está em declínio”. “Mas isso não é observado em todos os países do mundo.”

O suicídio é a segunda causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos no mundo, atrás apenas de acidentes de trânsito. E a cada 40 segundos uma pessoa se suicida, sendo que 79% dos casos se concentram em países de baixa e média renda.

Quando olhamos para uma faixa etária ainda mais jovem – de 15 a 19 anos -, o suicídio aparece como segunda causa de mortes entre as meninas, após as complicações na gravidez, e a terceira entre meninos, depois de acidentes de trânsito e violência.

 

 

A OMS estima que cerca de 800 mil pessoas morrem por suicídio por ano – os números do relatório são referentes a 2016. No Brasil, foram registrados 13.467 casos, a grande maioria (10.203) entre homens, segundo a entidade.

Os números da publicação apontam que a taxa global de suicídio foi de 10,5 por 100 mil habitantes. Há diferenças quando se observa a renda dos países. Nos de média renda, o índice foi de 9 por 100 mil; nos de baixa, de 10,8 por 100 mil; e nos de alta renda, 11,5 por 100 mil – nesses, o número de mortes de homens foi quase três vezes maior que o de mulheres.

 

Na região das Américas, incidência aumentou

Entre 2010 e 2016, as taxas caíram 4% no Sudeste da Ásia, onde fica a Índia, por exemplo, e 20% na região do Oeste do Pacífico, que inclui países como Austrália, Japão e Nova Zelândia.

No mesmo período, a região das Américas foi a única a apresentar crescimento da taxa global de suicídios. A alta foi de 6% enquanto a taxa global caiu 9,8%.

Mais da metade dos casos de morte por suicídio no mundo (52,1%) ocorre entre pessoas com menos de 45 anos.

De acordo com a OMS, o número de países que têm estratégias de prevenção ao suicídio cresceu nos últimos cinco anos, desde a publicação do primeiro levantamento da organização sobre o tema, mas ainda é considerado baixo – são 38 nações.

A Organização cobrou ainda que os países melhorem a qualidade dos dados sobre o tema. Segundo a organização, apenas 80 dos 183 países-membros para os quais foram produzidas estimativas no ano de 2016 tinham dados de qualidade. Os problemas com os dados foram notados principalmente nos países de baixa e média renda.

 

Problema de saúde pública

O suicídio é um fenômeno complexo que tem atraído a atenção de filósofos, teólogos, médicos, sociólogos e artistas através dos séculos; de acordo com o filósofo francês Albert Camus, em O Mito de Sísifo, esta é a única questão filosófica séria.
Como um sério problema de saúde pública, o suicídio demanda nossa atenção, mas sua prevenção e controle, infelizmente, não são tarefas fáceis. As melhores pesquisas indicam que a prevenção do suicídio, mesmo sendo uma atividade factível, envolve toda uma série de atividades, que variam desde as melhores condições possíveis para a criação das crianças e dos jovens, passando pelo tratamento efetivo dos transtornos mentais, até o controle dos fatores de risco ambientais. A disseminação apropriada da informação e o aumento da conscientização são elementos essenciais para o sucesso de programas de prevenção do suicídio.

 

 

O número de suicídios frequentemente é subestimado.

A extensão deste viés varia de acordo com o país, dependendo principalmente da maneira como o suicídio é registrado. Razões para a subestimação incluem estigmas, fatores políticos e sociais e regulações de agências seguradoras, o que significa que alguns suicídios podem ser registrados como acidentes ou mortes por causa indeterminada. Pensa-se que o suicídio é subestimado numa taxa de 20-25% no idoso e de 6-12% em outras faixas etárias.

Não existem registros mundiais oficiais de comportamentos suicidas não-fatais (tentativas de suicídio), principalmente devido ao fato de que somente cerca de 25% dos que tentam o suicídio precisam e/ou buscam atenção médica. A maioria das tentativas de suicídio, portanto, permanece não relatada e não registrada.

 

Países desenvolvidos têm as maiores taxas

Os países com renda baixa e média respondem por 79% dos suicídios no mundo, mas isso se deve principalmente à sua enorme população, 84% da total. Se a comparação for feita proporcionalmente à população dos países, a taxa é maior onde a renda é alta.

Nesses países desenvolvidos, a média em 2016 foi de 11,5 suicídios para cada 100 mil habitantes, segundo a taxa ajustada à idade. Na Europa, continente que concentra muitos países ricos, a taxa de suicídio foi de 12,9 para cada 100 mil habitantes. Na África, região que fica acima da média de países com baixa renda, foi de 12 para cada 100 mil habitantes. Nos países mais ricos, há um número cerca de três vezes maior de homens que se matam do que de muheres. Nos países de renda média e baixa, os números entre os dois gêneros são mais próximos.

Segunda principal causa de morte entre jovens

Mais da metade (52,1%) dos suicídios ocorreram antes dos 45 anos. O suicídio foi a segunda maior causa de morte entre jovens com entre 15 e 29 anos no mundo em 2016, atrás apenas de acidentes de trânsito. Entre jovens meninas de 15 a 19 anos, o suicídio é a segunda principal causa de morte, assim como o grupo mais amplo, dos 15 aos 29 anos, atrás apenas de complicações na gravidez e no parto. Entre meninos de entre 15 e 19 anos, o suicídio é a terceira principal causa de morte, atrás apenas de acidentes de trânsito e violência interpessoal.

Recomendações para evitar o suicídio

Uma das principais medidas recomendadas pela OMS para lidar com o problema é restringir acesso aos meios usados para o suicídio, como os agrotóxicos, por exemplo. A ingestão do veneno usado na agricultura está entre os principais meios usados por quem se suicida, ao lado das armas de fogo e do enforcamento.

“A principal intervenção com o maior potencial de reduzir o número de suicídios é restringir o acesso a agrotóxicos usados para autoenvenenamento”, diz o relatório.

A OMS cita um estudo que indicou que, no Sri Lanka, uma série de proibições a agrotóxicos poupou 93 mil vidas entre 1995 e 2015. Na Coreia do Sul, a proibição do agrotóxico paraquat reduziu pela metade os suicídios por envenenamento por agrotóxicos entre 2011 e 2013.

Outras medidas citadas são implementar programas entre jovens para “construir habilidades vitais que os ajudem a lidar com estresses da vida”. E identificar pessoas com  risco de suicídio, ajudá-las e acompanhá-las.

 

 

 

Se você precisa de ajuda, é possível entrar em contato com o CVV (Centro de Valorização da Vida) pelo telefone 188 ou no site www.cvv.org.br.

 

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Marcia Ameriot

Bacharel em Comunicação pela PUC - SP e jornalista.Há mais de 30 anos atua no Terceiro Setor, tendo dirigido grandes fundaçōes. Desenvolveu sua carreira em Comunicação em veículos de comunicação como Folha da Tarde, Revista Pequenas Empresas Grandes Negócios. Especialista em Gestão de Organizações do Terceiro Setor pela FGV - SP, é Reinventora CORE e Diretora de Comunicação da Associação.
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