A importância da educação socioemocional

Agosto 31, 2019
Agosto 31, 2019 Core

Solidariedade, amizade, responsabilidade, colaboração, empatia, organização, ética, cidadania, honestidade. Esses valores (ou características) — tão desejáveis nos relacionamentos humanos e cada vez mais requisitados e necessários nos dias de hoje — deverão ser ensinados, praticados ou, pelo menos estimulados, também nas escolas. É o que dizem as novas diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC).

A partir de 2020, todas as escolas brasileiras terão de incluir as habilidades socioemocionais nos seus currículos. Ou seja, haverá a necessidade de adaptar os programas escolares e treinar os professores para que trabalhem essas novas competências — que têm foco em habilidades não cognitivas, muito mais relacionadas ao comportamento e à administração das próprias emoções, mas que impactam positivamente o indivíduo e a relação dele com o mundo ao seu redor.

A contribuição de James Heckman

O economista estadounidense James Heckman, desde que publicou seus estudos e ganhou o Nobel de economia em 2000, tem se dedicado a estudos na área de educação. Tornou-se  conhecido, para além da economia, por sua tese:  decidiu  avaliar muito além de aspectos cognitivos na trajetória escolar. Qualificando outras características, provou que  na vida adulta é que se percebiam as verdadeiras diferenças de um ensino voltado para uma educação que desenvolvia habilidades, as que  chamou “não-cognitivas.” Os alunos que receberam esse tipo de educação apresentaram menores taxas de abandono escolar, redução do envolvimento em situações de violência, de gravidez na adolescência e como adultos apresentaram melhores salários e desempenho. Posteriormente, sua tese ganhou força com os estudos de neurociência. Heckman nos reforça a importância da educação socioemocional e seus benefícios para os alunos e, consequentemente, para a sociedade.

 

Pilares da educação socioemocional

Os pilares que apoiam a educação socioemocional incluem autoconhecimento, autogerenciamento, tomada responsável de decisões, habilidades de relacionamento e consciência social. Essas bases incluem contextos na escola, em casa e na comunidade, o que essencialmente significa que este tema precisa ser abordado em todos os grupos de participantes que se relacionam com a escola.

A educação socioemocional, desenvolvida na escola em seu currículo de forma sistemática e com planejamento intencional, desenvolve competências trazem melhoria para grandes problemas sociais e educacionais. Mundialmente, a educação socioemocional traz o olhar de uma educação integral para o aluno e ganha força e evidências através dos resultados.

Não é possível falar de educação, atualmente, sem associar um propósito maior de formação integral do estudante a fim de construir um país melhor, mais sustentável, mais produtivo, com uma sociedade mais humana e consciente. E esse pensamento não é uma falácia. De fato, vivemos um tempo de urgência, que exige educação no amplo sentido da palavra. pois esse é comprovadamente o caminho para o crescimento do país, seja em termos econômicos quanto na busca pela diminuição da desigualdade social e da equidade.

 

Competências

As competências socioemocionais envolvem a capacidade de o aluno administrar as próprias emoções, relacionar-se com os outros e aprimorar seu autoconhecimento.

Trata-se de um aspecto fundamental da formação do estudante, pois o ajuda a se desenvolver de maneira completa como indivíduo no aspecto pessoal, acadêmico e profissional.

Muitas pesquisas mostram que através das habilidades socioemocionais,  o estudante constrói, realmente, competências. São competências fundamentais para a prática relacional cotidiana num mundo tão cheio de complexidades. O estudante será capaz de desenvolver empatia, minimizando as situações de bullying e violência no cotidiano escolar; espírito de liderança, trabalhar em equipe, vivenciar situações de equidade e perceber a sua importância; melhorando as relações interpessoais, possibilitando, por exemplo, a diminuição do abandono escolar. Estabelecer relações que o levem a lidar com problemas e criar estratégias de
resolução, além de criatividade, dinamismo, visão de todo e saber lidar com as emoções. Todos esses pontos levam o estudante a uma dinâmica escolar inter-relacional, de interdependência positiva fundamentais na formação do adulto e profissional de amanhã. No mundo atual são aspectos que o profissional necessita no seu espaço de trabalho e determina um diferencial a mais do que os que só possuem competências cognitivas.

Diferenças entre competências cognitivas e socioemocionais

Está em dúvida a respeito das diferenças entre competências cognitivas e competências socioemocionais?

É importante conhecer as características de cada uma delas para que seja possível trabalhá-las em conjunto nas escolas. As competências cognitivas sempre foram o foco da educação tradicional, sendo necessário entender como atuar com elas em conjunto com as competências socioemocionais.

A UNESCO explica muito bem essa divisão, deixando claro o valor de ambas competências para a educação. São os pilares “aprender a fazer” e “aprender a conhecer”, relacionados a habilidades cognitivas, e “aprender a ser” e “aprender a conviver”, referentes a habilidades socioemocionais.

O que são competências cognitivas?

As competências cognitivas referem-se a entender ideias e como aplicá-las. Envolvem tanto o aspecto físico como o mental, como habilidades motoras e percepção.

Dessa forma, são habilidades que pontuam a evolução do aluno e são desenvolvidas em todas as disciplinas do currículo escolar, da Educação Infantil até o Ensino Médio.

Confira a seguir alguns exemplos de como as competências cognitivas podem ser aprimoradas como parte do currículo escolar:

  • Compreender um problema e apresentar soluções;
  • Usar a percepção auditiva para conduzir uma tarefa;
  • Planejar e executar um plano em todas as suas etapas

É necessário compreender que, para que um menino ou menina possa aprender e se desenvolver, precisa do professor, da família e da comunidade. E, nesse processo, o aprendizado cognitivo soma-se ao desenvolvimento das habilidades socioemocionais. Não se trata de escolher entre cognitivo ou socioemocional.

 

 

Projeto de Vida

O componente “Projeto de Vida”  é um exemplo de como desenvolver as habilidades socioemocionais na escola.

A competência geral 6 da BNCC contextualiza o projeto de vida:

“Valorizar a diversidade de saberes e vivências culturais e apropriar-se de conhecimentos e experiências que lhe possibilitem entender as relações próprias do mundo do trabalho e fazer escolhas alinhadas ao exercício da cidadania e ao seu projeto de vida, com liberdade, autonomia, consciência crítica  e responsabilidade.”

O Projeto de Vida hoje é uma disciplina ministrada nas três séries do ensino médio onde a mesma trabalha as diferentes saúdes: intelectual, emocional, espiritual, familiar, comunitária, ecológica e relacional.
É uma  proposta que viabiliza a educação integral através da realização de atividades que propiciam o desenvolvimento de competências socioemocionais.

Compreende a capacidade de gerir a própria vida. Os estudantes devem conseguir refletir sobre seus desejos e objetivos, aprendendo a se organizar, estabelecer metas, planejar e perseguir com determinação, esforço, autoconfiança e persistência seus projetos presentes e futuros. Inclui a compreensão do mundo do trabalho e seus impactos na sociedade, bem como das novas tendências e profissões.

Ciente da importância dessa competência para os jovens, a Comunidade Reinventando a Educação  (CORE) organizou um workshop em São Paulo, com a temática para o dia 14 de Setembro, das 14h às 18h, no Novotel Jaraguá A Diretora  de Projetos de Sociedade e Sustentabilidade da organização, Gabriela Montenegro, desenvolveu o tema, abarcando as quatro horas de formação: “Nossa expectativa de aprendizagem é que o jovem aprenda  a identificar e reconhecer seus sentimentos, desejos e crenças limitantes. Que saiba projetar seus sonhos de forma clara e objetiva e como colocá-los em prática, visando o cuidado de si, do outro, da comunidade e do Planeta, entre outros objetivos”, conta Gabriela.

Para informações e inscrições: Workshop: desenho do projeto de vida

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