Brincar é coisa séria: os jogos como ferramenta do desenvolvimento Infantil

Agosto 18, 2019
Agosto 18, 2019 Sheyla Baumworcel

O uso de jogos no contexto educacional favorece uma aprendizagem ativa pois unifica e integra o conhecimento. Segundo Winnicot, pediatra que desenvolveu sua psicanálise com base nas relações familiares entre a criança e o ambiente,  é brincando que se adquire experiência de vida. A brincadeira é uma prova evidente e constante da capacidade criadora, que quer dizer vivência.

O jogo  é um recurso que desenvolve os esquemas do conhecimento como observar, identificar, comparar, classificar analisar e estabelecer relações. Porém, precisamos contextualizar o jogo e o brincar nas escolas. Não é somente para transmitir noções de uma disciplina de forma mais atraente para os alunos. Também não é apenas por seu caráter recreativo. E sim, o jogo constitui-se como recurso formativo, pois colabora para a aprendizagem mais ativa e agrega os valores do conteúdo programático de forma eficaz.

Segundo Maria Montessori, pedagoga e criadora do método educativo que ainda é usado hoje em escolas públicas e privadas mundo afora, destacou a importância da liberdade, da atividade e do estímulo para o desenvolvimento físico e mental das crianças. Para ela, liberdade e disciplina se equilibrariam, não sendo possível conquistar uma sem a outra. Adaptou o princípio da autoeducação, que consiste na interferência mínima dos professores, pois a aprendizagem teria como base o espaço escolar e o material didático. Montessori também destaca que a criança  é um ser em criação. Cada ato é para ela uma ocasião de explorar e tomar posse de si mesma ou para melhor dizer, a cada extensão de si mesma, a ampliação de si mesma. A importância decorre de conquista em conquista, uma vibração incessante“.

As pesquisas em neurologia mostram que os primeiros sete anos de vida são decisivos para o desenvolvimento da criança. Nestes anos, as pessoas sofrem diversas transformações próprias do crescimento, entre elas, as físicas, em que o nosso corpo sofre diversas alterações e mudamos a dentição para definitiva. No âmbito emocional formamos, nesta idade, um sentimento básico em relação ao mundo, ou seja, aquele sentimento ou característica que nos vai  acompanhar para sempre. Então, a criança vai desenvolver  através dos jogos em grupos as bases para o seu futuro, as habilidades socioemocionais para a convivência em grupo assim como concentração, raciocínio, foco, criatividade, agilidade.  A primeira infância é um período fundamental no desenvolvimento cerebral. Na primeira infância as respostas são mais rápidas, mais intensas e mais duradouras, em contrapartida àquelas verificadas na juventude, que são, por sua vez, relativamente mais lentas, menos intensas e menos duradouras. É uma fase em que o cérebro se desenvolve em velocidade frenética e tem um enorme poder de absorção, como uma esponja maleável. As primeiras impressões e experiências na vida preparam o terreno sobre o qual o conhecimento e as emoções vão se desenvolver mais tarde.

Os jogos são muitas vezes subestimados em sua importância para o crescimento e desenvolvimento da inteligência da criança, da intuição e da criatividade. A ciência já confirma os benefícios dos jogos de regras como por exemplo o jogo de tabuleiro.
Os jogos de tabuleiro são importantes para exercitar a mente, além de lúdicos e divertidos, proporcionam que as crianças estimulem várias habilidades fundamentais para o desenvolvimento da concentração, raciocínio lógico e estimulam a criança a criar estratégias importantes para o desenvolvimento cognitivo e emocional.

A partir dos jogos, a criança é estimulada a usar a imaginação, a concentração, a atenção e o foco atencional e descobre novas coisas a partir de cada jogo. Outro fator importante, é que os jogadores aprendem a competir de forma saudável e criativa.
As regras de cada jogo estimulam a criar o hábito de atenção às regras de modo geral. A partir desta forma lúdica, o aluno se torna mais propenso a cumprir regras que são comuns a todos e a respeitar o direito do outro.

Além dessas vantagens, o uso do jogo envolve  uma mão dupla entre aluno e professor. O professor interage e se torna facilitador da aprendizagem deixando de estar no lugar do detentor do saber.

A equipe de professores precisa estar segura dessa prática para que não seja vista como perda de tempo ou simples recurso didático. O uso dos jogos também é importante para avaliação em todas as fases do desenvolvimento cognitivo.

Sheyla Baumworcel – pedagoga, psicopedagoga e pós-graduada em Neuroaprendizagem, Psicomotricidade e Cognição

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