Alunos criam proteção para as frutas e ajudam a evitar o desperdício

Agosto 5, 2019
Agosto 5, 2019 Marcia Ameriot

Você sabia que, de cada dez maçãs cultivadas, três vão parar no lixo? E que essa conta, divulgada pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, vale para a maioria dos alimentos in natura? Conscientes desses altos índices de perdas, alunos da Escola Técnica Estadual (Etec) Trajano Camargo, de Limeira, interior de São Paulo, pesquisaram novas tecnologias para aumentar a durabilidade das frutas e combater o desperdício. O resultado foi a criação de um revestimento plástico biodegradável e comestível, à base de produtos naturais que, aplicado sobre as frutas, ajuda a manter o frescor e retardar o processo de decomposição.

O projeto Longa vida às frutas é resultado do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) da turma do terceiro ano do curso técnico de Química integrado ao Ensino Médio, que pesquisou três tipos de matérias-primas para a produção do bioplástico ou glaceante, nome que recebe essa técnica empregada para dar proteção e brilho às frutas. O TCC comparou tipos de película para definir qual é mais eficiente e viável comercialmente.

Frutas que receberam a proteção duraram um mês a mais que as outras, segundo o estudo

Para minimizar o prejuízo, existem diversos materiais que protegem os frutos, mas que no fim significa apenas mais lixo sendo produzido. A partir dessa observação, estudantes do terceiro ano de química de Limeira desenvolveram uma proteção natural para as frutas.

Película

Na primeira tentativa, eles incorporaram cera de abelha à película protetora. O resultado, no entanto, não foi totalmente satisfatório. A película ofereceu a proteção que eles buscavam, mas o resultado visual não funcionaria na hora de a fruta ser comercializada.

Foi então que eles decidiram utilizar uma película de amido misturada ao própolis, e a descoberta foi inovadora.

Chamados de glaceantes, esses produtos protegem e dão brilho às frutas. Os estudantes, então, decidiram aproveitar resíduos da indústria alimentícia, como casca de batata, de maracujá ou laranja. Dessa forma, eles conseguiram produzir um bioplástico. Quando a fruta é lavada, a proteção se desfaz e isso não afeta o sabor do alimento.

Película sai ao ser lavada e não deixa gosto nas frutas

As frutas com a película tiveram uma durabilidade mais que o dobro superior às que estavam sem a proteção. A estudante Paula Castelar destaca que essa criação fecha um ciclo sustentável de utilização dos produtos, porque oferece mais que a vantagem de evitar o desperdício de alimentos.

Bioplástico

“Por ser feito de bioplástico, ele se degrada muito mais rápido que o plástico normal. O plástico normal pode demorar até 100 anos para se decompor e fica causando prejuízos para a natureza neste meio tempo, enquanto o bioplástico, em até um ano, pode ser degradado”, diz Paula.

A avaliação dos alunos é que o uso de películas protetoras pode ser uma solução e ainda trazer ganhos sociais e ambientais. De acordo com a pesquisa, toda a cadeia agroindustrial deve ser beneficiada: o produtor de mel, o varejo e as indústrias de citricultura, sucos e geleias, que podem dar novo uso aos resíduos da linha de produção.

“Quanto mais a gente confia, os resultados são mais gratificantes. É só investir neles, e eu acho que esse é o papel da escola”, conclui a professora da turma Gislaine Delbianco.

O projeto de TCC da Etec Trajano Camargo está alinhado com as metas 3 e 12 do Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que estabelecem a redução do desperdício de alimentos per capta e reduzir todas as perdas ao longo das cadeias de produção e abastecimento.

 

 

 

 

 

 

, , , ,

Marcia Ameriot

Bacharel em Comunicação pela PUC - SP e jornalista.Há mais de 30 anos atua no Terceiro Setor, tendo dirigido grandes fundaçōes. Desenvolveu sua carreira em Comunicação em veículos de comunicação como Folha da Tarde, Revista Pequenas Empresas Grandes Negócios. Especialista em Gestão de Organizações do Terceiro Setor pela FGV - SP, é Reinventora CORE e Diretora de Comunicação da Associação.
× Precisa de ajuda?