Cidade holandesa cria coberturas verdes em paradas de ônibus para as abelhas

Julho 30, 2019
Julho 30, 2019 Core

A cidade de Utrecht, na Holanda, equipou 316 pontos de ônibus com verdes para torná-los espaços propícios para abelhas e outros insetos polinizadores. Além de oferecer o néctar das plantas, a cobertura vegetal no teto da parada de ônibus absorve água das chuvas, melhora a qualidade do ar e ajuda a regular as temperaturas.

Até o fim de 2019, a prefeitura ainda pretende instalar um mastro com o maior “hotel de abelhas” do mundo. A estrutura, que utiliza pedaços de madeira com perfurações, serve de abrigo para abelhas solitárias, aquelas que não vivem em colmeias mas em cavidades no solo ou nas árvores, e que estão perdendo seu habitat.

O projeto integra a meta de Utrecht se tornar uma cidade circular até 2050. O objetivo também tem sido abraçado em outros lugares. Consiste em tornar a cidade mais autossuficiente quanto aos recursos que consome e também reduzir o desperdício e a produção de resíduos.

A importância das abelhas

Nos últimos anos, diversas pesquisas científicas e dados de apicultores têm apontado para uma queda acentuada nas populações de abelhas no mundo, um fenômeno conhecido como “distúrbio do colapso das colônias”. A ciência tem acumulado indícios de que o problema se deve, em boa parte, ao uso de agrotóxicos.

Um estudo publicado em outubro de 2017 na revista americana Science mostrou que 75% de todo o mel produzido no mundo está contaminado com essas substâncias. Isso mostra que as abelhas estão se infectando com os coquetéis químicos usados para matar pestes em plantações, que também são prejudiciais para sua saúde.

Grave nos Estados Unidos e na Europa, a situação das abelhas também tem se agravado no Brasil. Entre outubro de 2018 e março de 2019, ao menos 500 milhões de abelhas melíferas morreram em decorrência do uso de agrotóxicos no Rio Grande do Sul. Ao captarem néctar, uma fonte de carboidratos que utilizam para a produção do mel, as abelhas são impregnadas por pólen, que levam de uma flor a outra. Isso garante a fecundação e reprodução de diversas plantas. Os insetos também consomem o pólen como fonte de proteínas e lipídios.

O colapso das colônias não significa, portanto, apenas uma produção menor de mel no mundo, mas também um obstáculo para a reprodução de gêneros alimentícios importantes, como tomate, café, maçã e laranja. 71% das culturas agrícolas que respondem pela maior parte da alimentação mundial dependem da polinização das abelhas, segundo dados adotados pelas Nações Unidas.

Ônibus elétricos para melhorar a qualidade do ar

Além da iniciativa de colocar plantas nos tetos dos pontos, para melhorar a qualidade do ar, a cidade de Utrecht decidiu substituir gradualmente os ônibus a diesel por veículos elétricos, alimentados pela energia produzida nos moinhos de vento holandeses.

As abelhas estão ameaçadas na Holanda e em outros países europeus. Por meio de estratégias semelhantes, que criaram ambientes propícios na cidade para esses insetos, Amsterdã conseguiu aumentar em 45% sua diversidade de espécies de abelhas silvestres e melíferas desde os anos 2000.

Até o momento, dez ônibus elétricos já foram introduzidos na rede de transporte. A meta é que, até 2028, todo o transporte público seja totalmente livre de emissões de gases poluentes.

Para reduzir a poluição, também são oferecidos prêmios aos motoristas que dirigem de forma respeitosa com o meio ambiente.

 

 

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