Escolas suecas aproximam pedagogia e design

Julho 22, 2019
Julho 22, 2019 Marcia Ameriot

Já imaginou uma escola sem salas de aula, sem horários, sem provas? Pois essa escola existe, e além de ser um exemplo de metodologia diferenciada, chama atenção por sua instalação nada tradicional, que estimula a criatividade dos alunos.

A escola Telefonplan, encontra-se na Suécia, e faz parte de um grupo de escolas públicas administradas pela rede Vittra, que administra outras 34 escolas na Suécia somando um total de 8 mil estudantes matriculados, do ensino infantil ao médio. Segundo o diretor de pesquisa e desenvolvimento da rede Vittra, pedagogia e design têm que andar juntos, para potencializar o aprendizado. É por isso que a Telefonplan conta com uma equipe multidisciplinar formada por arquitetos, professores, designers, artista, comunicadores e algumas crianças.

A escola tem um projeto arquitetônico inovador, com poucas paredes e salas, e vários espaços pensados para aguçar a criatividade dos alunos. A tecnologia faz parte do dia a dia dos estudantes e professores, que usam laptops para estudar e trabalhar. A aprendizagem é baseada em projetos, de acordo com interesses individuais e feita de maneira colaborativa.

“Nós temos uma variedade de espaços e apostamos nisso para potencializar o aprendizado. Acreditamos que pedagogia e design têm que andar juntos”, diz Ante Runnquist, diretor de pesquisa e desenvolvimento da rede Vittra, que além da Telefonplan tem outras 34 escolas na Suécia com um total de 8 mil estudantes matriculados, do ensino infantil ao médio. “É claro que esses ambientes diferentes de aprendizagem não causam estranheza na educação infantil, mas é possível ter espaços alternativos para crianças mais velhas e jovens”, disse.

Na Suécia todas as escolas são gratuitas. Parte delas é pública e mantida pelo governo e parte é independente, como é o caso das Vittras. Runnquist explica que cada escola da rede tem um desenho diferente, adaptado às características do lugar onde está. Para adolescentes, eles também têm salas de aula tradicionais, mas se preocupam em proporcionar espaços atraentes para reuniões em grupo e compartilhamento de ideias.

Um dia normal em uma Vittra, conta o diretor, começa com os alunos de toda a escola reunidos em grupos, que normalmente não coincidem com a classe de origem, em um espaço comum de convivência. Ali eles, crianças e jovens de diferentes idades, discutem algum tema pulsante, tentam resolver um problema comum e compartilham experiências. Em seguida, em vez de aulas de 50 minutos ou uma hora, como é normal no Brasil, a escola prefere ter períodos mais longos destinados a cada disciplina. E, para isso, os alunos não precisam ficar o tempo todo em salas de aula. “Nós simplificamos o horário dos alunos e damos mais tempo para que eles possam desenvolver projetos”, afirmou Runnquist.

Problema: Aulas teóricas, em salas tradicionais, retangulares, com o professor de um lado e os alunos do outro, distribuídos em fileiras de mesas e cadeiras, e quase nenhuma interação, são características da escola tradicional que a Telefonplan, em Estocolmo, procura subverter. Criada em 2011, a escola entende que o espaço físico é uma das mais importantes ferramentas para o desenvolvimento educacional. Por isso, tem design diferenciado e colorido, com poucas salas e paredes. Os móveis são customizados e confortáveis. O projeto foi desenvolvido por arquitetos, professores, designers e estudantes, sob a liderança da arquiteta Rosan Bosch. A escola integra a Vittra, uma rede independente de 35 escolas gratuitas, mantidas com recursos públicos, e construídas com arquitetura inovadora. O objetivo é que a escola seja inspiradora e um local que propicie a comunicação.

Soluções: Os estudos são baseados em projetos e acontecem em espaços criativos, pensados para potencializar o aprendizado e motivar os alunos a fazerem perguntas e a aprender de acordo com seus próprios interesses, mas de forma colaborativa. O ambiente é aberto, positivo e divertido. Há espaços como a caverna, que é um canto para trabalhos individuais; o laboratório, onde ocorrem atividades práticas de matemática, ciências e artes; o acampamento, em que os alunos se reúnem para discutir ou trabalhar em algum projeto; o açude, local de socialização e atividades físicas, como dança; e o auditório, para apresentações. A escola conta ainda com espaços para relaxamento e para conversas, áreas para assistir a vídeos e salas multimídia.

As atividades diárias começam com todos os alunos da escola reunidos em grupos de diferentes idades e séries, para discutir algum assunto ou para tentar resolver um problema comum. A ideia é que eles compartilhem experiências, usem a criatividade, acreditem em si mesmos e sejam inovadores. Depois, partem para aulas das disciplinas, que são dadas parte em salas de aula e parte nos outros espaços da escola. Todos os professores e alunos com mais de 10 anos trabalham com o próprio laptop. Os estudantes mais novos também têm acesso a laptops e tablets da escola.

O aprendizado acontece em módulos online, e os alunos podem publicar seus trabalhos e compartilhar ideias com os colegas. Os educadores atuam como facilitadores, ajudando os alunos a desenvolverem seus projetos. Cada aluno tem um arquivo na internet, chamado de Vittra Book, onde são armazenados todos os dados relacionados à sua evolução na escola e que pode ser acessado de casa pelos pais.

Resultados: O aprendizado se torna interessante, envolvente e interativo. As crianças gostam da escola, se sentem motivadas e desenvolvem competências para o século 21, como comunicação, empatia, confiança e concentração. Elas aprendem a enfrentar desafios. O uso de laptops desenvolve a leitura, a escrita, a criatividade e a capacidade de usar ferramentas digitais. O Vittra Book aumenta a interação entre os pais e a escola.

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Marcia Ameriot

Bacharel em Comunicação pela PUC - SP e jornalista.Há mais de 30 anos atua no Terceiro Setor, tendo dirigido grandes fundaçōes. Desenvolveu sua carreira em Comunicação em veículos de comunicação como Folha da Tarde, Revista Pequenas Empresas Grandes Negócios. Especialista em Gestão de Organizações do Terceiro Setor pela FGV - SP, é Reinventora CORE e Diretora de Comunicação da Associação.
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