Conheça o Pequeno Príncipe escrito no formato do cordel nordestino

Julho 17, 2019
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Julho 17, 2019 Core

Não adiantou explicar. Os herdeiros do escritor Antoine de Saint-Exupéry não entenderam muito bem essa história de “literatura de cordel” e, por isso, negaram com veemência uma adaptação de um dos livros mais vendidos do mundo. A recusa frustrou o pernambucano Josué Limeira, cuja obra de estreia foi obrigada a ficar de molho. Só agora, 70 anos após a morte de Exupéry e a entrada da produção literária em domínio público, o projeto virou  realidade.

Josué, 51 anos, é funcionário público mas, de vez em quando, se aventura como poeta e cordelista. Assim como boa parte de sua geração, o pernambucano foi muito influenciado pela obra de Saint-Exupéry: “Eu já vinha pensando em adaptar um clássico da literatura para o cordel e, como o livro me acompanhava desde minha adolescência, pensei logo nele. Aí, escrevi o primeiro capítulo para experimentar e fiquei muito satisfeito com o resultado”.

Na remixagem do clássico, Josué narra a história no formato de sextilhas e conta com dezenas de ilustrações de Vladimir Barros, cujos traços ficam entre a xilogravura e a estética armorial. A forma e conteúdo do texto, aliados aos desenhos, inserem a dupla de autores em um panteão de cordelistas e artistas gráficos dedicados a misturar o enredo de obras universais a características típicas do Nordeste.

Pelo chapéu de couro com estrelas bordadas, não resta dúvidas: o Pequeno Príncipe é um “pequeno vaqueiro”. Em certo ponto da ficção, a asa branca cantada por Luiz Gonzaga é o pássaro responsável por fazê-lo voar. O rei de Exupéry vira o Rei do Maracatu. O Homem Vaidoso é encarnado pelo Homem da Meia-Noite, figura típica do carnaval pernambucano. “Li o livro na infância, aos 10, 11 anos, e nunca esqueci as frases de efeito, os filmes que adaptam o enredo. Decidi fazer homenagem e misturar a filosofia de Exupéry com a nordestina, um casamento matuto”.

Para a pesquisadora de literatura de cordel Shirley Ferreira, esse tipo de adaptação vai na contramão da tradição dos poetas cordelistas: “O comum é criar a história dentro do regionalismo, com acontecimentos recentes, na oralidade e escrita. Não é todo dia que um autor se dispõe a pegar um clássico e transformar em cordel. A proposta preserva o encantamento da ficção, a partir de novas maneiras de contá-la e  enaltece o cordel”.

“A gente conseguiu trazer Exupéry para o nosso quintal. Foi uma grande responsabilidade transpor isso, mas mantivemos a filosofia e poesia que ele botou no livro. É uma homenagem que Pernambuco e o Nordeste fazem a esse aviador e escritor fantástico. Exupéry é um pouco o Pequeno Príncipe que ele mesmo criou, alguém que até continua a iluminar o céu.”

 

Para adquirir um exemplar:

https://www.emcordel.com.br/produto/93295/1-o-pequeno-principe-em-cordel

 

 

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