O sucesso do modelo educacional do Canadá

Julho 16, 2019
Julho 16, 2019 Core

O Canadá se encontra entre os 10 países do mundo em melhor posição no relatório PISA, um estudo elaborado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) em diferentes países para medir o rendimento dos alunos do ensino médio em matemática, ciência e interpretação de texto. Em 2015, último ano em que a prova foi realizada, o Brasil caiu para a 63ª posição dentre 70 países avaliados.

Bons salários e frequentes cursos de aprimoramento para os educadores são a prioridade do governo canadense para manter o alto nível da educação no país.

Outra  pesquisa  realizada pela  (OCDE) apontou que, entre os 40 países ou sub-regiões que formam o órgão, o Brasil é o país que pior remunera seus professores.

A diferença do Brasil para a média dos outros países membros da Organização é gritante, e piora progressivamente: a média da OCDE nos primeiros anos do ensino fundamental é de 31.919 dólares anuais; nos anos finais sobe para 33.129 dólares anuais, e no ensino médio chega a 34.534. Em todas as etapas o Brasil ficou atrás de países como Letônia, Eslováquia, Polônia e Hungria.

Em debates sobre os melhores sistemas educacionais do mundo, os nomes mais citados costumam ser de países nórdicos, como a Noruega e a Finlândia, ou de potências como Cingapura e Coreia do Sul.

Embora seja muito menos lembrado, o Canadá subiu ao topo dos rankings internacionais.

Na mais recente rodada de exames do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa),  o Canadá ficou entre os dez melhores países em matemática, ciências e interpretação de texto.

As provas são o maior estudo internacional de desempenho escolar e mostram que os jovens do Canadá estão entre os mais bem educados do mundo.

Eles estão muito à frente de vizinhos como os Estados Unidos e de países europeus com quem têm laços culturais, como o Reino Unido e a França.

O salário médio dos educadores canadenses de escolas públicas na região de Ontário, onde está localizada a cidade de Toronto, é de R$ 20 mil por mês. Estima-se que 94% dos alunos de Ontário frequentam escolas públicas.

“Se eu tiver que manter dois ou três empregos para sobreviver eu não vou conseguir focar nos alunos e na pedagogia”, avalia Pieter Toth, professor que recebeu um prêmio de excelência do governo canadense por sua atuação.

“Com um bom salário eu posso ser professor 24 horas por dia e me sinto valorizado pelo meu país e pelos meus próprios alunos.”

Professores como Toth são instruídos, em cursos de reciclagem, a promover atividades de inclusão na sala de aula para estimular o senso crítico. As aulas, muitas vezes multidisciplinares, convidam os alunos a questionar problemas sociais. Cerca de 1/3 dos estudantes canadenses são estrangeiros. Ainda assim, quem nasceu em outros países também consegue se manter no mesmo nível dos locais nas avaliações do Pisa.

Em Ontário, onde 94% dos alunos estão matriculados em escolas públicas, quando os alunos completam 14 anos podem escolher as disciplinas que mais lhes interessam e criar sua própria ementa.

“Nosso sistema não é academicista; não se baseia em memorizar conteúdos de livros de texto, e sim na aplicação prática”, diz Bruce Rodrigues, ministro da Educação de Ontário, que concentra 40% da população total do Canadá. A igualdade é uma das prioridades do programa educacional num país onde 22% dos habitantes nasceram no exterior. “Temos muito em mente coletivos como o LGTBI, e modificamos os programas em função das características dos habitantes das diferentes regiões”, afirma Rodrigues.

Afinal, como o Canadá superou tantos outros países na área de educação?

Andreas Schleicher, o diretor de educação da OCDE, diz a característica que une os diversos sistemas educacionais do país é a igualdade.

Apesar de diversas diferenças nas políticas educacionais, um traço em comum entre todas as regiões do país é o comprometimento em oferecer igualdade de oportunidades na escola.

Schleicher diz que existe um forte senso de equilíbrio e igualdade de acesso – o que pode ser observado na alta performance acadêmica de filhos de imigrantes.

Até três anos depois de chegar ao país, os alunos imigrantes alcançam notas tão altas quanto as de seus colegas. Isso torna o Canadá um dos poucos países em que crianças imigrantes atingem um patamar similar aos das não-imigrantes.

Outra característica distinta é que os professores são muito bem pagos em comparação com os padrões internacionais – e o ingresso na profissão é altamente seletivo.

Oportunidades iguais

David Booth, professor do Instituto para Estudos em Educação da Universidade de Toronto, destaca um forte investimento de base em alfabetização.

Existiram esforços sistemáticos para melhorar a alfabetização, com a contratação de educadores bem treinados, investimento em recursos como bibliotecas nas escolas e avaliações para identificar escolas ou alunos que possam estar tendo dificuldades.

John Jerrim, do Instituto UCL de Educação de Londres, diz que o ótimo desempenho do Canadá nos rankings internacionais reflete a homogeneidade socioeconômica do país.

O país não é uma nação de extremos. Pelo contrário, seus resultados mostram uma média alta, com pouca diferença entre os estudantes mais e menos favorecidos.

 

 

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