Suportes educacionais: do que estamos falando?

Julho 15, 2019
Julho 15, 2019 Raquel Del Monde

Podemos definir suportes educacionais como estratégias utilizadas para possibilitar ou favorecer o engajamento de um aluno no processo de aprendizagem. A definição abrange toda ação que tenha esse objetivo dentro de uma escola.

Existem diversos tipos de suportes educacionais:

Acomodações

Referem-se a modificações no ambiente ou nos materiais utilizados e também a condutas e procedimentos adotados. Exemplos: carteira para canhotos, rampa para cadeira de rodas, modificações dos estímulos sensoriais (como os estímulos estressores para autistas com hipersensibilidade), organização física do ambiente, políticas claras de convivência, uso de comunicação efetiva e tecnologia assistiva.

Acomodações são estratégias que não dependem de nenhum tipo de planejamento pedagógico propriamente dito e sim com recursos de acessibilidade e atitudes que devem ser do conhecimento de todos na escola, funcionários e alunos.

Adaptações pedagógicas

Envolvem modificações na maneira de apresentar determinado conteúdo disciplinar, mantendo-se seu propósito original, ou na maneira que o aluno executa suas atividades e tarefas. Exemplos: lançar mão de metodologia diferenciada, recursos multissensoriais e vivências extra-classe, uso de material concreto e apoio visual, manejo do ritmo (fracionar atividades, diferenciar o volume de trabalho, dilação do tempo), opções para realização de tarefas e avaliações, apoio individualizado (sistematização do direcionamento para realização de atividades, leitura de enunciados, auxílio de mediador).

Adaptações pedagógicas exigem planejamento por parte do educador, a partir da identificação das dificuldades e competências dos alunos.

Adequações curriculares

São modificações no próprio conteúdo disciplinar oferecido, incluindo enriquecimento curricular, para alunos com perfis de aprendizagem muito diferentes dos demais colegas (deficiência intelectual, transtornos de aprendizagem, superdotação, altas habilidades), que podem se beneficiar da individualização curricular.

Para este nível de suporte, muitas vezes é necessária a avaliação e colaboração de outros profissionais, fora do ambiente escolar.

Vale ressaltar que essa classificação dos suportes tem somente o objetivo de esclarecer melhor suas finalidades e auxiliar na atribuição de responsabilidades de toda comunidade escolar. Não é uma separação rígida. Um exemplo: ao mesmo tempo que considera-se a comunicação efetiva uma acomodação, ela pode ser utilizada na modificação de enunciados de tarefas e avaliações para autistas com entendimento literal da linguagem – quando passa a ser também uma adaptação pedagógica.

Nos próximos textos, vamos falar um pouco de cada tipo de suportes e das situações em que ele é indicado. A boa notícia é que um mesmo suporte pode ser útil em diversos casos. Não existe “suporte de TDAH”, “suporte de autismo” etc. O que existe são suportes para as dificuldades observadas, as quais podem ser compartilhadas por alunos com diversos diagnósticos.

Portanto, não é o diagnóstico do aluno que define o suporte que ele precisa e sim a necessidade que ele apresenta!

Raquel Guimarães Del Monde – Médica pela USP Ribeirão Preto. Fez residência em Pediatria pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (FCM – Unicamp). Especialista em Pediatria pela Associação Médica Brasileira e Sociedade Brasileira de Pediatria. Especialista em Psiquiatria da Infância e Adolescência (FCM – Unicamp). É Diretora do Núcleo Conexão, grupo multidisciplinar de avaliação e intervenção em transtornos de aprendizagem, desenvolvimento e autismo. Autora do livro “Na dose certa – o que mais o pediatra tem a dizer”.

 

 

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Raquel Del Monde

Dra Raquel Guimarães Del Monde é pediatra e psiquiatra infantil com atuação em desenvolvimento, aprendizagem e autismo. É autora do livro “Na dose certa – o que mais o pediatra tem a dizer”. É Mentora da CORE - Comunidade Reinventando a Educação.
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