No topo da lista

Julho 7, 2019
Posted in Colunistas
Julho 7, 2019 Helenice Schiavon

Não sei de vocês, mas esta pausa das aulas e o início das férias escolares sempre me faz pensar na vida que levo: tem sido adequado o tempo que destino às obrigações diárias? Tenho pensado na qualidade das refeições que faço? São suficientes as oportunidades que me dou para o ócio, o afeto, a leitura e o lazer? Poderia viver mais intensamente a minha vida?

Confesso que a resposta a estas questões nunca vem fácil; ao menos não a tempo de recomeçar tudo de novo… Mas há uma pergunta dentre as perguntas que realmente me intriga: que itens escolho colocar no topo da minha lista de viver? E por quê?

Dirão alguns que há muitas formas de viver intensamente a vida e, para cada uma delas, haverá sempre de existir um porquê. A mim, ao contrário, parece que minha lista de porquês é muito, muito mais extensa do que a minha  lista de viver. Em resumo, os porquês são tão  importantes em minha vida que ajudam a compor uma forma única de vivê-la.

Talvez isto ocorra porque, no topo da minha lista de viver há lugar para um só ítem: pessoas. E isso implica dizer que, com elas, eu deva ser minuciosa e extrema. Sempre superlativa. Permanentemente apaixonada. Demasiado crédula – o que me fará ingênua? Invariavelmente esperançosa.  Vivendo sempre às vésperas de algo que pode estar entre a ficção ou o apocalípse.

Para entender o que digo, talvez seja bom voltar ao topo da minha lista de viver – onde está escrito que vivo intensamente pelas pessoas; sejam elas filhos, ancestrais, mães, desconhecidos, parentes, alunos, amigos, patrões, pedintes, crianças, adolescentes, ingênuos, injustiçados, tolos, planetas, bichos, doentes, oprimidos, jovens, ameaçados, heróis, governantes ou   mestres… Na minha cabeça, esteja eu de férias ou não, quando o que está em jogo é a vida, não se pode errar o alvo: ou se ama, ou não se ama. Por isso, sei que  erro menos quando sou  minuciosa e extrema com todas as  pessoas – indiscriminadamente; algo como se tivesse sempre alguma voz a me dizer ao pé da orelha: “pense nos porquês desta pessoa, pense, pense, pense…”!

Vivo, portanto, focada neste tópico solitário da lista – as pessoas – num olhar superlativo e apaixonado, como se elas fossem as ínicas a se amar no mundo. Assim, se a voz estivesse a cutucar meus ouvidos ela diria: “ nunca substime as dores e as faltas das pessoas; nunca!”.

Dito melhor, pessoas  são representadas pelos porquês de suas vidas, fincando-se por esta razão no alto da minha lista de viver. Nelas acredito por princípio e, se necessário for, vivo de longe as suas falhas e faltas como se fossem minhas; sempre de joelhos para o perdão ou  para o entendimento. Se a mesma voz  falasse cá nos meus ouvidos, dela viria um sussurro ingênuo, entre a ficção e o apocalípse: “você tem medo?”.

Acaba de se iniciar este momento de se viver pessoas fora da escola. A seu tempo, logo, logo, chegará a hora de recomeçarem as aulas. Inevitáveis, a qualquer tempo e lugar, vêm  as pessoas; com seus porquês pequenos ou grandes, éticos  ou bons, verdadeiros ou justos. É sempre a hora para vivermos intensamente o que está no topo da lista.

Helenice Schiavon

Professora, graduada em Letras e em Pedagogia, especialista em Psicopedagogia Institucional, Gêneros textuais, Literatura brasileira e africana. Promove vivências em Design Thinking e Empreendedorismo para educadoras. Fomenta as narrativas como parte da formação do sujeito. É Reinventora CORE.
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