Fevereiro 11, 2019 Sergio Camaru

Já percebeu como ainda é comum que professor e alunos estejam em lados opostos? A disposição da sala de aula, não raro, fomenta isso quando, em lugar de juntá-los, favorecendo uma aprendizagem realmente colaborativa, situa-os como oponentes. Se todos ocuparem um lugar respeitoso, daquele que ensina e ao mesmo tempo aprende, podemos ter uma aprendizagem colaborativa, afetiva, que prime pela interação, você concorda?
Esta separação ocorre, entre outras possíveis causas, porque a criança ainda é vista como objeto de proteção e não como sujeito de direitos e de participação; como ser incompleto que precisa do adulto, este sim, ser amadurecido e cheio de conhecimentos. Ainda falta o estímulo à interação – ação entre todos –, necessária a que se dê a experiência e, a partir desta, a construção do conhecimento. “As escolas se omitem de observar que o aprendizado que se efetiva nos meios extraescolares é eficaz justamente por se dar em clima de interação entre os agentes sociais” (CUNHA, 2011, p.43)
A educação ainda olha para o passado, ignora, no presente, os conhecimentos que os estudantes levam para a escola, fruto de seu contexto e vivência pessoais. Entende que o fim da educação é formar o adulto, como se a fase adulta revelasse um ser acabado, que já aprendeu tudo de que precisava, enquanto que a infância fosse sinônima de falta de tais conhecimentos.
É fundamental não nascermos sabendo e nem prontos; o ser que nasce sabendo não terá novidades, só reiterações. […] Nascer sabendo é uma limitação porque obriga a apenas repetir e, nunca, a criar, inovar, refazer, modificar. Quanto mais se nasce pronto, mais refém do que já se sabe e, portanto, do passado; aprender sempre é o que mais impede que nos tornemos prisioneiros de situações que, por serem inéditas, não saberíamos enfrentar. […] Gente não nasce pronta e vai se gastando; gente nasce não pronta, e vai se fazendo (CORTELLA, 2009, pp.12, 13).

O papel da educação deve ser pensar a sociedade futura, mas sem perder o momento presente, sobre o qual esta criança atua, sem deixar que o adulto, que interage com ela, tenha também autonomia para seu autodesenvolvimento.

Sergio Gomes Camarú – Engenheiro da computação e matemático, especializando-se em computação aplicada à educação. Fomenta práticas de educação matemática para a equidade, inclusão e ludicidade. Reinventor CORE.

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