Janeiro 30, 2019 Core

Estamos tão afetados pela polarização partidária que reduzimos o atributo político à disputa eleitoral (que parece não ter acabado). Passados mais de 3 meses das eleições e quase um mês das novas gestões nacional e estaduais, qualquer crítica que se faça à gestão do Estado é pontuada para um lado ou para o outro. Enquanto seguirmos assim, não teremos um país que caminhe para a evolução civilizatória. Claro que Brumadinho é resultado de um lado, de opções administrativas, mas, de outro, de questões políticas. Hoje, no site do Reporter Brasil, li a seguinte matéria:
“O secretário de Meio Ambiente de Minas Gerais, Germano Luiz Gomes Vieira, assinou em dezembro de 2017 norma que alterou os critérios de risco de algumas barragens, o que permitiu a redução das etapas de licenciamento ambiental no Estado. A medida possibilitou à Vale acelerar o licenciamento para alterações na barragem da Mina de Córrego do Feijão, que rompeu na última sexta-feira deixando até agora 34 mortos e 256 desaparecidos.
Nomeado pelo então governador Fernando Pimentel (PT), Vieira assinou a Deliberação Normativa 217 duas semanas após assumir o posto de secretário. Ele, porém, trabalhou na elaboração da medida desde maio de 2016, quando era secretário-adjunto de Meio Ambiente. A norma permite, em alguns casos, rebaixar o potencial de risco das barragens, o que pode levar à redução do processo de licenciamento para apenas uma etapa. Antes da medida, os casos de significativo impacto ambiental do Estado passavam sempre por três fases de aprovação: Licença Prévia, Licença de Operação e Licença de Instalação. Com os novos critérios de risco, mais flexíveis, as três licenças são concedidas simultaneamente.”
Quem acha que essas questões são exclusivas da administração ou da política, sem relação uma com a outra, ou é ignorante dos processos sociais orgânicos de funcionamento de uma sociedade complexa, ou é maldoso e quer manipular a opinião pública para que não se manifeste ou tome consciência de seu devido papel como cidadãos e cidadãs, condição que nos faz perguntar pela cumplicidade do governo no crime que é melhor tratar de acidente. Precisamos distanciarmos da polarização partidária para pensarmos o Brasil que queremos sem a poluição do partidarismo que mais parece torcida de futebol do que argumento político.

Adriano José Hertzog Vieira é educador, doutor e mestre em Educação, bacharel e licenciado em Filosofia e licenciado em Pastoral Catequética. Tem formação em Psicanálise. Palestrante e conferencista em âmbito nacional e internacional, trabalha os temas relacionados à educação contemporânea, currículo, formação docente, pensamento complexo e transdisciplinaridade.

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