Malala encanta e emociona em evento sobre educação

Julho 10, 2018
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Julho 10, 2018 Marcia Ameriot

Na tarde desta segunda-feira (9), aconteceu algo poderoso no Auditório Ibirapuera, em São Paulo. O encontro com a ativista pela educação Malala Yousafzai provocou um turbilhão de emoções e uma forte chamada à ação nos quase 800 convidados, a maioria jovens e meninas, e as mais de 5 mil pessoas que acompanharam o encontro via redes sociais. A mediação foi feita pela jornalista Adriana Carranca, autora do livro “Malala, a menina que queria ir para a escola”. Na plateia, estavam estudantes de escolas públicas e organizações do setor de educação.

Um dos pedidos de Malala foi estar perto dos jovens, com quem ela mais se conecta. Meninas e meninos de vários lugares do Brasil foram convidados para assistir Malala falar de suas ideias sobre educação, especialmente a educação de meninas, que ainda é negada em muitos países. Malala fez questão de estar próxima, conhecer suas realidades e permitir que os jovens fizessem perguntas diretamente a ela. Emocionou-se e emocionou a todos.

Malala começou o evento com uma fala firme em defesa da educação e empoderamento das meninas. Mas foi incrivelmente doce e tranquila ao conclamar a plateia e todos a promover uma educação que permita que meninas e meninos sonhem grande e para que não sejam vulneráveis nem vítimas de tráfico de pessoas, ou obrigadas a trabalhar.

Mesmo que não falasse, lembrar da história fe Malala já seria suficiente para também emocionar-nos. Não é todo dia que encontramos uma mulher que, desde muito nova, luta pelo direito das meninas no Paquistão. Que sofreu um atentado por isso. Que ficou entre a vida e a morte, e daí conseguiu se reerguer e, a partir da tragédia, construir uma luta ainda maior, global.

Quando pensamos em Malala, pensamos na dureza e crueldade da vida das meninas no Paquistão e no Oriente Médio. Mas em sua fala de abertura, Malala lembrou que, no Brasil onde vivemos, ainda há 1,5 milhões de garotas sem acesso à educação. Somos o quarto país do mundo com mais crianças casadas. Ainda temos tanto a avançar.

Educação é investimento, poder e independência

Malala defende que a luta pela educação das meninas é uma luta que beneficia a todos. “Educação é mais do que ler e escrever. O empoderamento vem da educação, a emancipação, a independência. Educar garotas ajuda a construir economias, fortalecer democracias e traz estabilidade aos países”, ela afirmou, logo de cara. E, já que estávamos em um evento patrocinado por um dos maiores bancos do país, não custou nada a ela lembrar: “Educação é o maior e mais sustentável investimento de longo prazo”.

Além de Malala e de Ana Lúcia Villela, presidente do Instituto Alana, três mulheres foram convidadas a compartilhar suas histórias com Malala e com a plateia: a escritora Conceição Evaristo, que falou sobre a força da leitura – e fez Malala contar que, na casa dela, é ela que lê para a mãe, que só está se alfabetizando agora: “ela vendeu todos os livros quando tinha 6 anos e não pôde estudar mais. Agora ela está lendo novamente, aprendendo, e eu me sento ao lado dela, é maravilhoso”, relatou.

“Minha mãe é uma das razões para eu continuar lutando pela educação de cada mulher porque ela me lembra todos os dias o quão é importante que as mulheres aprendam a ler e escrever, o quanto isso as empodera”, disse

A diretora da ONG Casa do Zezinho Dagmar Rivieri, falou sobre a importância dos vínculos e o poder de disseminar a paz, e a ativista Tábata Amaral, que contou sobre sua trajetória da escola pública até Harvard e propôs à Malala um trabalho conjunto.

Com a ajuda das histórias contadas por elas – e por jovens selecionadas na plateia, Malala foi engajando a plateia na luta que não é só dela. Como ela fez questão de falar para os jovens: “Não sou a pessoa que vem de fora com soluções. Para fazer mudança, temos que contar com a base local, os ativistas locais. Quero trabalhar em conjunto com movimentos locais para juntos entendermos melhor os problemas e explorarmos novas ideias”.

Como Malala mantém o ânimo frente às adversidades

Os jovens ativistas que foram convidados a fazer perguntas diretamente a ela estavam muito interessados em entender de onde vem a força de Malala. O desânimo com a política, com a realidade e a raiva diante da violência e da injustiça fizeram parte das indagações. Como continuar lutando? Como persistir quando tudo parece ir contra o bom trabalho?

Para elas, Malala tem uma lição. Ela conta que visita muitos campos de refugiados e que lá conhece muitas meninas. Ela contou a história de uma, em específico, que estava prestes a se casar, forçada pelo Estado Islâmico, mas antes do casamento conseguiu fugir. E que ela correu por dias até conseguir se abrigar em um campo de refugiados. Um lugar onde as instalações são precárias, mas onde ela ainda pode sonhar em estudar e ter uma vida independente. E arremata com: “se ela não perde a esperança, por que eu deveria perder?”

Atualmente, Malala estuda na Universidade de Oxford, uma das mais prestigiadas do mundo. Mesmo em uma realidade tão diferente – e tão melhor, podemos dizer – do que a que vivia no Paquistão, ela vê que a igualdade entre homens e mulheres é um sonho a ser perseguido, e não uma realidade: “eu vejo meus colegas em Oxford. Os homens são sempre tão confiantes, falam com tanta certeza sobre as coisas, confiam neles mesmos. E as mulheres, mesmo tão inteligentes quanto eles, são mais hesitantes. Devemos ser confiantes, acreditar em nós mesmas! Nunca subestimem seu poder. Sigam falando, lutando, e nunca desistam”, ela prega, com muita convicção e confiança.

Malala não sente raiva?

Para encerrar, Malala respondeu a uma questão sobre domínio de emoções.
Como ela lida com a raiva? Em um trecho famoso do documentário “Malala”, ela afirma nunca ter sentido raiva de quem cometeu o atentado contra ela. Seria possível uma coisa dessas?

A resposta dela é daquelas para levar pra vida: “Quando você passa sua mensagem com raiva, gritando, de forma violenta, você perde energia. A força de suas palavras se perde. A mensagem pacífica tem um poder oculto. Então tente transformar a energia da raiva em uma energia positiva e pacífica. Desta forma, ninguém poderá te ignorar”.

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Marcia Ameriot

Bacharel em Comunicação pela PUC - SP e jornalista.Há mais de 30 anos atua no Terceiro Setor, tendo dirigido grandes fundaçōes. Desenvolveu sua carreira em Comunicação em veículos de comunicação como Folha da Tarde, Revista Pequenas Empresas Grandes Negócios. Especialista em Gestão de Organizações do Terceiro Setor pela FGV - SP, é Reinventora CORE e Diretora de Comunicação da Associação.

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