Yes, nós acolhemos imigrantes!

Junho 26, 2018
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Junho 26, 2018 Marcia Ameriot

Nos últimos anos, o Brasil tem recebido uma quantidade expressiva de imigrantes e refugiados, dentre eles, muitas crianças. Essa nova situação vem alterando o dia a dia de muitas escolas públicas e particulares.

Para além da questão de compreender e debater tais fluxos contemporâneos de deslocamento, as instituições de ensino lidam com o desafio de acolher e integrar esses alunos que chegam ao país, valorizando ao mesmo tempo suas culturas de origem.

Um dos gargalos para o acesso à educação está no desconhecimento por parte de muitos pais imigrantes indocumentados de que têm direito ao sistema público brasileiro de saúde e educação. Mas o direito à educação deve ir além da matrícula na escola. A qualidade da educação passa pela mobilização de repertórios como cinema, música e artes para pensar uma educação integral com o corpo e mente.

 

Intercâmbio cultural dentro da escola

Na Vila Maria Alta, zona Norte de São Paulo, o professor Éder Magalhães realiza o projeto de Intercâmbio dentro do programa “Mais Educação São Paulo”. Esse projeto desenvolve atividades para promover a integração de adolescentes de pelo menos 4 nacionalidades na EMEF João Domingues Sampaio.

Com o apoio da CORE – Comunidade Reinventando a Educação, Éder põe em prática com um grupo de alunos em horário alternativo às aulas o Projeto Intercâmbio: Derrubar barreiras, construir pontes – A interculturalidade como elemento de integração estudantil. A CORE leva à escola parceiros que desenvolvem oficinas com o grupo de alunos.

“A ideia do projeto é favorecer a integração entre alunos de diferentes nacionalidades no cotidiano escolar e propiciar ao estudante imigrante o sentimento de acolhimento e pertencimento”, explica o educador. Ele esclarece que o elo que une os estudantes é o estudo estudo do espanhol pelos alunos brasileiros e os de os de origem latina já que muitos deles acabam perdendo a língua materna e sua cultura ao migrar. Há uma intenção clara de estimular o empoderamento e o orgulho de sua cultura entre os alunos provenientes de países de origem hispânica proporcionando a eles participação e o protagonismo das ações de estudos da língua.

 

Ocupando o território da escola

A ocupação do território e entorno escolar tem ajudado os jovens a se integrar melhor. Para isso, Éder leva os alunos a espaços educativos com o intuito de apresentar-lhes a cidade e, ao mesmo tempo, promover situações de intercâmbio cultural e comunicação. Visitaram, por exemplo, no Sesc Bom Retiro, a exposição Travessias Ocultas – Lastro Bolívia, experiência, que configurou uma viagem pelo território boliviano.

“Temos a meta de levá-los à Espanha, berço do idioma, mas, por enquanto, temos organizado atividades que os aproximam da língua e das tradições de seus países de origem”, conta, animado, Éder.

Os alunos já criaram um jornal mural, “Mundo hispanohablante”, com informações dos vários países hispanos, notícias, curiosidades, expostas para toda a escola. Eles disponibilizaram também livros em espanhol que podem ser compartilhados entre todos.

 

Convidado venezuelano

O pedagogo e artista venezuelano residente no Brasil, Douglas Escalante, foi um dos convidados da CORE para desenvolver uma atividade com o grupo: “Foi uma experiência nova e muito boa para mim. Nunca havia trabalhado com jovens e menos ainda, de escola pública.”

Douglas relata a timidez da maioria e a dificuldade, a princípio, de que participassem todos – uma característica comum a grupos de imigrantes. “Mas aos poucos todos foram participando e a energia gerada foi especial”, completa Escalante.

Ele considera importante o papel da arte e do lúdico nesse trabalho de integração, além da leitura e geografia, como meio de incorporá-los ao mapa do mundo hispano. Douglas é pintor, muralista e entusiasta da pedagogia humanista e construtivista.

Segundo a Polícia Federal, entre 2013 e 2015, 320 mil pessoas migraram para o Brasil, uma média anual 2,4 vezes maior do que em anos anteriores. Em 2006, o país recebeu 45.124 imigrantes e refugiados.

Marcia Ameriot

Bacharel em Comunicação pela PUC - SP e jornalista.Há mais de 30 anos atua no Terceiro Setor, tendo dirigido grandes fundaçōes. Desenvolveu sua carreira em Comunicação em veículos de comunicação como Folha da Tarde, Revista Pequenas Empresas Grandes Negócios. Especialista em Gestão de Organizações do Terceiro Setor pela FGV - SP, é Reinventora CORE e Diretora de Comunicação da Associação.

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